USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Paciente com 35 anos de idade, lavrador, feriu-se com uma enxada durante o trabalho. Ao exame verificou-se ferimento cortante profundo na perna direita. Foi feita a limpeza do local do ferimento e realizado curativo oclusivo. Ao ser verificada a carteira de vacinação, viu-se que o paciente tinha sido vacinado contra o tétano com 2 doses de vacina dT (dupla adulto, difteria e tétano) há 12 anos. Com essas informações qual seria a conduta profilática recomendada em relação ao paciente, diante de sua situação vacinai?
Ferimento tetanogênico + vacinação incompleta/desatualizada (>5 anos) → dT 1 dose + Soro Antitetânico (SAT).
A profilaxia antitetânica em caso de ferimento depende do tipo de lesão e do histórico vacinal do paciente. Em ferimentos considerados tetanogênicos (profundos, contaminados) e com esquema vacinal incompleto (menos de 3 doses) ou última dose há mais de 5 anos, é indicada a administração de uma dose da vacina dT e soro antitetânico (imunização passiva).
A profilaxia antitetânica é uma medida crucial na emergência para prevenir o tétano, uma doença grave causada pela neurotoxina do Clostridium tetani. A decisão sobre a conduta profilática depende de dois fatores principais: o tipo de ferimento (limpo/menor ou tetanogênico) e o histórico vacinal do paciente contra o tétano. É fundamental que os profissionais de saúde dominem essas diretrizes para garantir a proteção adequada. Ferimentos tetanogênicos incluem lesões profundas, puntiformes, contaminadas com terra ou fezes, com tecido desvitalizado, ou que demoraram para ser limpas. O histórico vacinal é classificado em completo (3 ou mais doses, com a última há menos de 5 ou 10 anos, dependendo do ferimento), incompleto (menos de 3 doses) ou desconhecido. A vacina dT (difteria e tétano) confere imunização ativa, enquanto o soro antitetânico (SAT) ou imunoglobulina antitetânica (TIG) confere imunização passiva imediata. Para ferimentos tetanogênicos e pacientes com esquema vacinal incompleto ou última dose há mais de 5 anos, a conduta recomendada é a administração de uma dose da vacina dT e soro antitetânico (SAT). O SAT fornece proteção imediata, enquanto a vacina estimula a produção de anticorpos a longo prazo. A limpeza e debridamento adequados do ferimento também são componentes essenciais da profilaxia. O conhecimento dessas diretrizes é vital para a prática clínica e para as provas de residência.
O soro antitetânico (SAT) é indicado para ferimentos tetanogênicos em pacientes com histórico vacinal incompleto (menos de 3 doses), desconhecido, ou em imunocomprometidos, pois oferece imunização passiva imediata, enquanto a vacina dT confere imunização ativa a longo prazo.
A imunização ativa é conferida pela vacina (dT), que estimula o próprio corpo a produzir anticorpos, levando tempo para ser eficaz. A imunização passiva é fornecida pelo soro antitetânico (SAT), que contém anticorpos pré-formados, oferecendo proteção imediata, mas de curta duração.
Ferimentos tetanogênicos são aqueles com alto risco de contaminação por esporos de Clostridium tetani, como ferimentos profundos, puntiformes, com necrose tecidual, contaminados com terra, fezes ou saliva, ou aqueles que demoram mais de 6 horas para serem tratados.
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