CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica do Mato Grosso do Sul — Prova 2015
Um paciente com 66 anos, sexo masculino, procurou a emergência de um hospital geral com ferimento na mão direita, ocasionado por fragmento de madeira que ocorreu no dia anterior. O paciente apresentava febre de 38°C, dor local de moderada intensidade e secreção purulenta no ferimento. O debridamento, realizado pelo médico plantonista, mostrou uma lesão com, aproximadamente, 1 cm de profundidade, com halo de hiperemia, secreção purulenta e área de necrose. Foi retirado fragmento de madeira com, mais ou menos, 1×0,6 cm. O paciente afirmava que, há mais ou menos 7 anos, havia tomado 3 doses da vacina contra o Tétano, em Unidade de Saúde (confirmado pela caderneta de vacinação), indicadas por ocasião de outro ferimento. De antecedentes, era portador de Diabetes Mellitus mal controlada. No caso acima relatado, além do debridamento, qual medida deve ser recomendada para a prevenção do Tétano?
Ferimento sujo + 3 doses vacina há 7 anos (>5 anos) → Reforço vacinal antitetânico.
Para ferimentos potencialmente tetanígenos, a conduta de profilaxia antitetânica depende do histórico vacinal e do tipo de ferimento. Em pacientes com esquema vacinal completo (3 doses) e a última dose há mais de 5 anos (para ferimentos sujos), um reforço da vacina é suficiente para garantir a proteção.
O tétano é uma doença grave causada pela toxina do Clostridium tetani, que pode entrar no corpo através de ferimentos contaminados. A prevenção é feita principalmente pela vacinação. A imunização primária consiste em três doses da vacina (DTP, dTpa ou dT), seguida por doses de reforço. A proteção conferida pela vacina é duradoura, mas não vitalícia, necessitando de reforços periódicos. Em casos de ferimentos, a conduta de profilaxia antitetânica é crucial e deve ser baseada no tipo de ferimento (limpo/menor ou sujo/maior) e no histórico vacinal do paciente. Pacientes com esquema vacinal completo (três doses) e que receberam a última dose há menos de 5 anos para ferimentos sujos (ou 10 anos para ferimentos limpos) geralmente não precisam de intervenção adicional além da limpeza da ferida. No entanto, se o intervalo for maior, um reforço vacinal é indicado. Para pacientes com esquema vacinal incompleto ou desconhecido, ou em ferimentos de alto risco, além do debridamento adequado da ferida, pode ser necessária a administração de imunoglobulina antitetânica (IgAT) para fornecer proteção imediata (imunidade passiva), juntamente com o início ou complementação do esquema vacinal. O debridamento cirúrgico é fundamental para remover o tecido necrótico e reduzir a carga bacteriana, diminuindo o risco de infecção.
Ferimentos potencialmente tetanígenos incluem aqueles contaminados com terra, fezes, saliva, objetos perfurantes (pregos, farpas), queimaduras, congelamento, fraturas expostas, ferimentos por arma de fogo ou projéteis, e ferimentos com necrose ou isquemia.
A IgAT é indicada para pacientes com ferimentos potencialmente tetanígenos que não foram vacinados, têm esquema vacinal incompleto, ou cujo status vacinal é desconhecido. Ela fornece imunidade passiva imediata.
Para ferimentos limpos, o reforço da vacina antitetânica é indicado se a última dose foi há mais de 10 anos. Para ferimentos sujos ou potencialmente tetanígenos, o reforço é necessário se a última dose foi há mais de 5 anos.
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