Profilaxia Antirrábica: Conduta em Acidentes Graves

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026

Enunciado

Menino de 15 anos, previamente hígido, procura atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) referindo que há cerca de 30 min foi mordido por um gato de rua ao tentar retirá-lo de dentro da cozinha de sua avó idosa. As mordidas resultaram em lesões corto-contusas nas mãos, principalmente nos dedos, sendo mais intensas na mão direita atingindo polpas digitais. Paciente nega episódios anteriores de agressões desse tipo. O gato não pertence a ninguém da vizinhança e fugiu após a tentativa de ser capturado. Na localidade observou-se, no ano anterior, a confirmação de raiva em gatos. A conduta adequada no atendimento imediato ao paciente é:

Alternativas

  1. A) Lavar os ferimentos com antissépticos; aguardar a busca ativa do animal, até 10 dias, pela zoonose para início da profilaxia; aplicar reforço da vacina dt (difteria e tétano) e fazer curativo diariamente.
  2. B) Lavar os ferimentos com água corrente abundante e sabão; administrar a vacina antirrábica em 4 doses, nos dias 0, 3, 7 e 14; aplicar imunoglobulina humana antirrábica.
  3. C) Higienizar adequadamente e suturar as lacerações; prescrever 1 dose de penicilina benzatina 1.2 milhão UI; aplicar o soro antirrábico; soro antitetânico e agendar curativos diários.
  4. D) Higienizar com solução antisséptica; administrar a 1ª dose da vacina antirrábica; na presença de qualquer reação adversa, contraindicar as doses subsequentes; aplicar o soro antirrábico.

Pérola Clínica

Mordedura em mãos por animal de rua (fugiu) → Vacina (4 doses) + Soro/Imunoglobulina.

Resumo-Chave

Acidentes com animais de rua não observáveis em extremidades são graves; exigem limpeza, vacinação completa e imunização passiva imediata.

Contexto Educacional

A raiva é uma encefalite viral aguda com letalidade próxima de 100%. O manejo pós-exposição é a única forma de prevenir a doença após o contato com o vírus. A classificação do acidente depende da localização da lesão, profundidade e condição do animal agressor. Ferimentos em mãos e dedos são críticos devido à rica inervação, facilitando a migração do vírus para o sistema nervoso central. No caso de gatos de rua em áreas com circulação viral confirmada, a conduta deve ser agressiva. A limpeza com água e sabão é o primeiro passo essencial para reduzir a carga viral. A sutura deve ser evitada ou realizada de forma frouxa apenas se estritamente necessário. A imunoglobulina ou soro fornece anticorpos imediatos, enquanto a vacina estimula a produção endógena, garantindo proteção durante o período de incubação do vírus.

Perguntas Frequentes

Quando um acidente por mordedura é considerado grave?

São considerados graves os ferimentos na cabeça, face, pescoço, mãos, polpas digitais e planta dos pés; ferimentos profundos, múltiplos ou extensos; lambedura de mucosas; ou qualquer ferimento causado por animais silvestres (morcegos, macacos, raposas) ou animais domésticos suspeitos/raivosos no momento do acidente.

Qual o esquema vacinal pós-exposição para raiva?

O esquema atual recomendado pelo Ministério da Saúde para profilaxia pós-exposição em acidentes graves envolve 4 doses de vacina administradas nos dias 0, 3, 7 e 14. Se houver indicação de soro ou imunoglobulina, estes devem ser aplicados o mais precocemente possível, preferencialmente infiltrados na base das lesões.

Como proceder se o animal fugiu após a mordedura?

Se o animal (cão ou gato) fugiu, desapareceu ou morreu sem possibilidade de diagnóstico laboratorial, o acidente deve ser tratado como se o animal fosse raivoso. Em áreas de risco ou ferimentos graves (como mãos), inicia-se imediatamente o esquema de vacina e soro/imunoglobulina, sem aguardar busca ativa.

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