HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Paciente de 25 anos, com diabetes melitos tipo 1, comparece ao pronto socorro com histórico de mordedura pelo seu animal (cão da raça pitbull) em mão esquerda. O cão foi sacrificado por populares que encaminharam o paciente ao pronto socorro. Ao exame, apresenta 3 lesões puntiformes em dorso de mão, uma delas com pequena laceração e coágulo. Refere histórico vacinal de tétano completo, com última dose há 6 anos. Além dos cuidados com a ferida (irrigação copiosa com salina e desbridamento), quais as demais condutas para esse caso?
Mordedura de cão em mão + animal desconhecido/sacrificado + DM1 → Soro + Vacina Antirrábica + Toxoide + Amoxicilina/Clavulanato.
Em mordeduras de cão, especialmente em mãos e em pacientes imunocomprometidos (DM1), a profilaxia antibiótica com amoxicilina/clavulanato é crucial. A indicação de soro e vacina antirrábica depende do status do animal e da gravidade da lesão, sendo mandatória para animais desconhecidos ou com suspeita de raiva. O reforço do toxoide tetânico é indicado se a última dose foi há mais de 5 anos em feridas de alto risco.
O manejo de mordeduras de animais é uma situação comum no pronto-socorro e exige uma abordagem sistemática para prevenir complicações graves como raiva, tétano e infecções bacterianas. A raiva, embora rara em humanos, é quase invariavelmente fatal, tornando a profilaxia pós-exposição crucial. A epidemiologia da raiva varia regionalmente, mas a suspeita deve ser alta em casos de animais desconhecidos ou com comportamento alterado. O diagnóstico e a avaliação da ferida são os primeiros passos, incluindo a localização, profundidade e contaminação. Pacientes imunocomprometidos, como diabéticos, têm maior risco de infecção. A fisiopatologia da infecção envolve a inoculação de bactérias da flora oral do animal, sendo Pasteurella multocida o patógeno mais comum. A decisão sobre profilaxia antirrábica baseia-se na avaliação do risco do animal e da ferida, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde. O tratamento envolve limpeza rigorosa da ferida, desbridamento, profilaxia antitetânica e, quando indicado, profilaxia antirrábica (soro e vacina) e antibiótica. A vacina antirrábica segue um esquema de doses em dias específicos (ex: 0, 7, 14, 28). A profilaxia antibiótica com amoxicilina/clavulanato é preferencial. O prognóstico é bom com manejo adequado, mas atrasos podem levar a infecções graves ou, no caso da raiva, desfecho fatal.
A profilaxia com soro e vacina é indicada em casos de mordeduras graves (cabeça, pescoço, face, mãos, pés, genitais) ou múltiplas lesões, e quando o animal é desconhecido, não vacinado, ou apresenta sinais de raiva. Em casos de animais observáveis e sadios, a vacinação pode ser suspensa se o animal permanecer sadio por 10 dias.
A amoxicilina/clavulanato é o antibiótico de escolha para profilaxia em mordeduras de cão, devido à sua cobertura para Pasteurella multocida e anaeróbios. A duração recomendada para profilaxia é geralmente de 3 a 5 dias, dependendo da gravidade e localização da ferida.
Para pacientes com histórico vacinal completo de tétano e ferida de alto risco (como mordedura animal), um reforço com toxoide tetânico é indicado se a última dose foi administrada há 5 anos ou mais. Se a última dose foi há menos de 5 anos, nenhuma intervenção adicional é necessária.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo