Profilaxia Antirrábica: Conduta Pós-Exposição a Porcos

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma criança de oito anos de idade é trazida à Unidade de Saúde da Familia (USF) com história de ter sido atacada por um porco doméstico, ao adentrar o interior de um chiqueiro, na propriedade rural onde vive com seus pais. O exame físico revela lesão única e superficial na panturrilha direita. A família informa que a criança nunca havia recebido vacinas antirrábicas anteriormente.Com vistas à profilaxia antirrábica, a conduta a ser adotada neste caso envolve limpeza criteriosa e desinfecção do local atingido, acompanhada de:

Alternativas

  1. A) Quatro doses de vacina, sem uso de soro.
  2. B) Três doses de vacina e observação do animal.
  3. C) Quatro doses de vacina e uma dose de soro.
  4. D) Apenas acompanhamento do animal.

Pérola Clínica

Ataque por porco doméstico com lesão superficial em não vacinado: limpeza local + 4 doses de vacina antirrábica, sem soro, com observação do animal.

Resumo-Chave

Em casos de exposição a animais domésticos (como porcos) com lesões superficiais em indivíduos não vacinados, a profilaxia antirrábica envolve a limpeza rigorosa da ferida e a administração de 4 doses da vacina antirrábica. O soro não é indicado para lesões superficiais de animais domésticos, e a observação do animal por 10 dias é crucial para determinar a continuidade da vacinação.

Contexto Educacional

A raiva é uma zoonose viral grave com alta letalidade, tornando a profilaxia pós-exposição um pilar fundamental da saúde pública. A conduta após uma agressão por animal deve ser baseada no tipo de animal (doméstico, silvestre), na gravidade da lesão e no histórico vacinal do paciente e do animal. Em casos de agressão por animais domésticos, como porcos, a avaliação da lesão e a possibilidade de observação do animal são determinantes. Para lesões superficiais causadas por porcos domésticos, a conduta inicial envolve limpeza criteriosa da ferida com água e sabão. A profilaxia antirrábica para um indivíduo não vacinado, neste cenário, consiste na administração de 4 doses da vacina antirrábica. O soro antirrábico não é indicado para lesões superficiais de animais domésticos, pois o risco de transmissão é menor e a vacina é suficiente para induzir imunidade protetora. A observação do animal agressor por 10 dias é uma medida crucial. Se o porco permanecer saudável durante esse período, a vacinação humana pode ser interrompado, pois isso indica que o animal não estava infectado com o vírus da raiva no momento da agressão. Residentes devem estar familiarizados com os protocolos do Ministério da Saúde para a profilaxia antirrábica, garantindo a aplicação correta das medidas e evitando tratamentos desnecessários ou insuficientes.

Perguntas Frequentes

Quando o soro antirrábico é indicado na profilaxia pós-exposição?

O soro antirrábico é indicado em casos de lesões graves (profundas, múltiplas, em áreas de alto risco como cabeça e pescoço), ou em exposições a animais silvestres, morcegos, ou animais domésticos com suspeita de raiva ou que não podem ser observados.

Qual o esquema vacinal antirrábico para indivíduos não vacinados?

Para indivíduos não vacinados, o esquema padrão pós-exposição é de 4 doses da vacina antirrábica nos dias 0, 3, 7 e 14. Em algumas situações, pode ser considerado um esquema de 5 doses (dias 0, 3, 7, 14, 28).

Qual a importância da observação do animal doméstico na profilaxia da raiva?

A observação do animal doméstico (cão, gato, porco) por 10 dias é fundamental. Se o animal permanecer saudável durante esse período, significa que não estava transmitindo o vírus da raiva no momento da agressão, e a vacinação humana pode ser interrompida.

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