Mordedura de Cão: Conduta Correta na Profilaxia Antirrábica

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2021

Enunciado

João, 18 anos, foi mordido na perna pelo cachorro da sua vizinha. No mesmo momento, ele lavou abundantemente o local da mordida com água e sabão, questionou a vizinha sobre o comportamento do cão nos últimos dias e sobre a situação vacinal. Segundo a vizinha, o cachorro é saudável e suas vacinas estão em dia. Na manhã seguinte, João foi à unidade básica de saúde e foi atendido pela médica de família, que examinou o ferimento e percebeu que era superficial, constituído de áreas perfurantes em cicatrização, intercalado por áreas de hiperemia e discreto edema, sem sangramento. A médica pediu ao agente comunitário de saúde que fosse averiguar as condições do cão, uma vez que era conhecido na comunidade. Neste contexto, assinale a abordagem CORRETA:

Alternativas

  1. A) Pedir a carteira de vacinação para a vizinha, caso a vacina do cachorro não esteja em dia, encaminhar João para a vacinação antirrábica.
  2. B) Independente de esquema vacinal ou não do cão, João deve ser encaminhado para realizar o esquema de vacinação antirrábica.
  3. C) Manter a observação do cão por 10 dias.
  4. D) Encaminhar para a realização da vacina antirrábica e soro antirrábico em João.

Pérola Clínica

Mordedura por cão saudável/vacinado, conhecido, sem sinais de raiva → Observar o animal por 10 dias.

Resumo-Chave

Em casos de mordedura por cão ou gato com histórico vacinal conhecido e comportamento normal, a conduta inicial é observar o animal por 10 dias. Se o animal permanecer saudável nesse período, a profilaxia antirrábica para o humano não é necessária, independentemente da vacinação prévia do animal.

Contexto Educacional

A raiva é uma zoonose viral grave, quase sempre fatal, transmitida ao ser humano principalmente pela mordedura de animais infectados. A profilaxia pós-exposição (PEP) é crucial para prevenir a doença em humanos. O manejo de casos de mordedura de animais, especialmente cães e gatos, segue protocolos bem estabelecidos pelo Ministério da Saúde, que visam avaliar o risco de transmissão da raiva e indicar a conduta mais apropriada. Em situações como a descrita, onde o animal agressor é um cão ou gato conhecido, que se apresenta saudável e com histórico vacinal em dia (ou mesmo desconhecido, mas saudável), a conduta inicial é a observação do animal por 10 dias. Durante esse período, o animal deve ser monitorado para o aparecimento de quaisquer sinais de raiva. Se o animal permanecer saudável ao final dos 10 dias, significa que ele não estava transmitindo o vírus da raiva no momento da agressão, e a profilaxia antirrábica para o ser humano não é necessária. É importante ressaltar que a lavagem abundante do ferimento com água e sabão é sempre a primeira medida a ser tomada, independentemente da avaliação do risco. A decisão de iniciar a vacinação antirrábica e/ou o soro depende de fatores como o tipo de animal, as características do ferimento (profundidade, localização), e o status de saúde e vacinação do animal agressor. A vacinação imediata e o soro são reservados para casos de alto risco, como mordeduras por animais silvestres, animais desconhecidos, ou animais que apresentem sinais de raiva.

Perguntas Frequentes

Quando é indicada a observação do animal após uma mordedura?

A observação do animal por 10 dias é indicada quando o agressor é um cão ou gato, conhecido, com histórico vacinal atualizado (ou não) e que se apresenta saudável no momento da agressão. Essa observação visa verificar o aparecimento de sinais de raiva no animal.

Quais são os sinais de raiva em cães que justificam a vacinação humana?

Sinais de raiva em cães incluem mudanças de comportamento (agressividade, paralisia, salivação excessiva, dificuldade para engolir, andar cambaleante). Se o animal apresentar qualquer um desses sinais durante o período de observação, a profilaxia antirrábica humana deve ser iniciada imediatamente.

Em que situações a vacina e o soro antirrábico são indicados imediatamente?

A vacina e o soro antirrábico são indicados imediatamente em casos de mordeduras profundas ou múltiplas, em áreas de alto risco (cabeça, pescoço, face, mãos, pés), por animais silvestres, animais desconhecidos, ou animais que apresentem sinais de raiva ou que morram durante a observação.

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