Mordedura de Cão: Conduta e Profilaxia Antirrábica/Antitetânica

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Adolescente de 13 anos foi trazida pela mãe para avaliação médica em UBS devido a mordedura do cão da vizinha, após tentativa de alimentá-lo há 2 horas. Quando paciente foi manipular o prato de comida do animal, esse a mordeu em dorso de mão esquerda, lesão superficial e única. A vizinha informou agora que animal mantém-se assintomático e ficará com ela em casa. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada para este paciente:

Alternativas

  1. A) Fazer limpeza adequada da lesão, avaliar a necessidade de profilaxia antitetânica, iniciar a aplicação da vacina antirrábica e observar animal durante 10 dias.
  2. B) Fazer a limpeza adequada da lesão e dar alta para paciente, pois não se trata de uma situação de risco que necessite de avaliação antirrábica ou antitetânica.
  3. C) Avaliar a profilaxia antitetânica e iniciar imediatamente a aplicação de soro e vacina antirrábica, considerando que o acidente é grave e animal é de alto risco para raiva.
  4. D) Fazer a limpeza adequada da lesão, avaliar necessidade de profilaxia antitetânica e dar alta para paciente, pois não se trata de uma situação de risco que necessite de avaliação antirrábica.
  5. E) Fazer a limpeza adequada da lesão, avaliar necessidade de profilaxia antitetânica e observar animal durante 10 dias.

Pérola Clínica

Mordedura por cão doméstico sadio e observável → Limpeza, antitetânica, observar animal 10 dias.

Resumo-Chave

Em acidentes por mordedura de cão ou gato, se o animal for conhecido, sadio e puder ser observado por 10 dias, a conduta inicial é a limpeza da ferida e avaliação da profilaxia antitetânica. A vacina antirrábica só é iniciada se o animal adoecer ou desaparecer durante a observação.

Contexto Educacional

Acidentes por mordedura de animais são comuns e representam um risco para a transmissão de doenças como a raiva e o tétano. A raiva é uma zoonose viral grave, quase sempre fatal, transmitida principalmente pela saliva de animais infectados. A profilaxia pós-exposição é crucial e deve ser avaliada caso a caso, considerando o tipo de animal, as circunstâncias do acidente e a gravidade da lesão. A conduta inicial para qualquer ferimento por mordedura inclui a limpeza rigorosa da lesão com água e sabão, que é fundamental para reduzir a carga viral e bacteriana. Em seguida, avalia-se a necessidade de profilaxia antitetânica, conforme o histórico vacinal do paciente e as características da ferida. Feridas profundas ou contaminadas têm maior risco de tétano. Para a profilaxia antirrábica, a observação do animal agressor é um passo chave. Se o animal for um cão ou gato doméstico, conhecido, e puder ser mantido em observação por 10 dias, a vacinação antirrábica humana é adiada. Se o animal permanecer sadio após 10 dias, a profilaxia não é necessária. Caso o animal adoeça, desapareça ou morra nesse período, a profilaxia antirrábica deve ser iniciada imediatamente. Essa abordagem racionaliza o uso de vacinas e soros, evitando intervenções desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Quando é indicada a profilaxia antirrábica imediata após mordedura de animal?

A profilaxia antirrábica imediata é indicada para acidentes graves por animais silvestres, animais desconhecidos, animais com sinais de raiva, ou quando o animal agressor não pode ser observado.

Qual a importância da observação do animal por 10 dias?

A observação do animal por 10 dias é crucial porque, se o animal estiver infectado com o vírus da raiva, ele manifestará sintomas e morrerá nesse período. Se permanecer sadio, não transmitirá a raiva.

Quais os critérios para classificar um acidente por mordedura como grave?

Acidentes graves incluem lesões profundas, múltiplas, em áreas de alto risco (cabeça, pescoço, face, mãos, pés, genitais), ou causadas por animais de alto risco (silvestres, morcegos, animais com suspeita de raiva).

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