Profilaxia Antirrábica: Conduta em Ferimentos por Animais

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Sueli vem para consulta, pois cortou a planta do pé direito ao pisar em um caco de vidro. O ferimento foi profundo com sangramento ativo. Após lavar o ferimento com água e sabão e conter o sangramento, um cachorro desconhecido lambeu a ferida. Assinale a alternativa que corresponde à conduta correta:

Alternativas

  1. A) Antes da aplicação do soro antirrábico ou da vacina é necessário avaliar se não existe contra-indicação para aplicação.
  2. B) Deve-se observar o animal por 10 dias e iniciar o esquema de profilaxia, caso ele se torne raivoso, morra ou desapareça.
  3. C) Não se recomenda a sutura dos ferimentos, se absolutamente necessário, deve-se apenas aproximar as bordas com pontos isolados.
  4. D) Deve-se iniciar imediatamente o esquema profilático com soro e cinco doses de vacina administradas nos dias 0, 3, 7, 14 e 28.
  5. E) Recomenda-se a sutura dos ferimentos e a aplicação imediata do esquema profilático com soro e cinco doses de vacina administradas nos dias 0, 3, 7, 14 e 28.

Pérola Clínica

Ferimento profundo lambido por animal desconhecido → profilaxia antirrábica completa (soro + vacina) e NÃO suturar.

Resumo-Chave

Em ferimentos profundos ou extensos, especialmente na face, cabeça, pescoço, mãos, pés ou genitais, e em qualquer ferimento lambido por animal desconhecido, a profilaxia antirrábica completa (soro e vacina) é indicada. A sutura deve ser evitada ou feita com pontos isolados para não favorecer a replicação viral.

Contexto Educacional

A profilaxia antirrábica pós-exposição é uma medida de saúde pública crucial para prevenir a raiva humana, uma doença viral fatal. A conduta adequada depende da avaliação do tipo de exposição (arranhadura, mordedura, lambedura), da gravidade do ferimento e das características do animal agressor. No caso de ferimentos profundos, extensos, ou em áreas de alto risco (cabeça, pescoço, face, mãos, pés, genitais), ou quando o animal é desconhecido, silvestre ou com suspeita de raiva, a profilaxia completa com soro e vacina é mandatória e deve ser iniciada imediatamente. O soro antirrábico humano (SARH) ou equino (SARE) confere imunidade passiva imediata, enquanto a vacina estimula a produção de anticorpos. É fundamental que ferimentos de alto risco não sejam suturados, ou que a sutura seja feita de forma frouxa e com pontos isolados, para evitar a criação de um ambiente propício à replicação viral. A observação do animal por 10 dias é válida apenas para animais domésticos conhecidos e sadios, em casos de ferimentos leves, e não substitui a profilaxia em situações de alto risco.

Perguntas Frequentes

Quando é indicada a profilaxia antirrábica completa (soro e vacina)?

A profilaxia antirrábica completa é indicada em ferimentos graves (profundos, extensos, dilacerantes, em áreas de alto risco como face, mãos, pés) ou em qualquer ferimento causado por animal silvestre, morcego, ou animal doméstico desconhecido/suspeito.

Por que não se deve suturar ferimentos de alto risco para raiva?

A sutura de ferimentos de alto risco para raiva não é recomendada porque pode criar um ambiente anaeróbico favorável à replicação do vírus da raiva, aumentando o risco de infecção. Se absolutamente necessário, deve-se fazer sutura com pontos isolados e frouxos.

Qual o esquema vacinal para profilaxia antirrábica pós-exposição?

O esquema vacinal padrão para profilaxia antirrábica pós-exposição consiste em cinco doses da vacina, administradas nos dias 0, 3, 7, 14 e 28 após a exposição. Em casos de alto risco, o soro antirrábico é aplicado no dia 0.

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