Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2022
Homem, 46 anos de idade, submete-se à enterectomia eletiva por neoplasia com anastomose reconstrutiva primária e instalação de dreno laminar. Qual é a administração antimicrobiana adequada para este caso?
Profilaxia antimicrobiana em enterectomia eletiva: dose única na indução anestésica, sem extensão pós-operatória.
Para cirurgias limpas-contaminadas, como enterectomia eletiva com anastomose primária, a profilaxia antimicrobiana deve ser realizada com dose única na indução anestésica. A extensão da profilaxia no pós-operatório não é recomendada e aumenta o risco de resistência antimicrobiana.
A profilaxia antimicrobiana cirúrgica é uma medida crucial para reduzir a incidência de infecções de sítio cirúrgico (ISC), que representam uma das complicações mais comuns e custosas em cirurgia. O objetivo é atingir concentrações teciduais adequadas do antibiótico no momento da incisão e durante o período de maior risco de contaminação, que geralmente é intraoperatório. Para cirurgias limpas-contaminadas, como a enterectomia por neoplasia com anastomose primária, a administração de uma dose única de antibiótico na indução anestésica é a prática padrão e mais eficaz. A escolha do antibiótico deve cobrir os patógenos mais prováveis, que no caso do trato gastrointestinal incluem bactérias Gram-negativas e anaeróbias. O uso de drenos laminares, por si só, não justifica a extensão da profilaxia antimicrobiana, que deve ser reservada para casos de infecção estabelecida ou outras indicações específicas. Residentes devem estar cientes das diretrizes atuais de profilaxia, que enfatizam a dose única e o momento correto da administração. A prática de prolongar a antibioticoterapia profilática é um erro comum que contribui para a resistência antimicrobiana e não melhora os resultados na maioria dos pacientes. O conhecimento aprofundado sobre a classificação das cirurgias, os agentes etiológicos mais comuns e os antibióticos apropriados é essencial para a segurança do paciente e para o sucesso em exames de residência.
A profilaxia antimicrobiana deve ser administrada na indução anestésica, idealmente dentro de 60 minutos antes da incisão cirúrgica, para garantir níveis teciduais adequados no momento da contaminação.
A extensão da profilaxia no pós-operatório não demonstrou benefício adicional na prevenção de infecções de sítio cirúrgico e aumenta o risco de seleção de bactérias resistentes, além de efeitos adversos.
As cefalosporinas de primeira ou segunda geração (ex: cefazolina) são frequentemente utilizadas, com ou sem metronidazol, dependendo da cobertura necessária para bactérias gram-positivas e anaeróbias, especialmente em cirurgias colorretais.
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