Profilaxia Antimicrobiana Cirúrgica: Protocolos e Alternativas

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

A respeito da profilaxia antimicrobiana de infecções no sítio cirúrgico, pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) Uso de antibióticos intravenosos são necessários em cirurgias oftalmológicas.
  2. B) Cefazolina deve ser usada em cirurgias eletivas videolaparoscópicas de baixo risco.
  3. C) Não há necessidade de uso de antibiótico profilático em procedimentos como histerectomia.
  4. D) Clindamicina pode ser utilizada em pacientes com alergia aos fármacos betalactâmicos.

Pérola Clínica

Alergia a betalactâmicos em profilaxia cirúrgica → Clindamicina ou Vancomicina são as alternativas.

Resumo-Chave

A profilaxia antimicrobiana visa reduzir a carga bacteriana no sítio cirúrgico no momento da incisão. A Cefazolina é o padrão-ouro para a maioria dos procedimentos, mas em pacientes com hipersensibilidade grave a betalactâmicos, utilizam-se lincosamidas ou glicopeptídeos.

Contexto Educacional

A profilaxia antimicrobiana é uma das medidas mais eficazes para a prevenção de infecções de sítio cirúrgico (ISC), que representam uma carga significativa de morbimortalidade hospitalar. O princípio fundamental é a presença de níveis terapêuticos do fármaco no tecido durante todo o período em que a ferida permanece aberta e exposta à contaminação ambiental ou da flora endógena. A escolha do agente depende do tipo de procedimento e dos patógenos mais prováveis. A Cefazolina (cefalosporina de 1ª geração) é amplamente utilizada devido ao seu espectro contra cocos Gram-positivos, meia-vida adequada e baixo custo. Em cirurgias colorretais ou ginecológicas, a cobertura para anaeróbios e Gram-negativos deve ser adicionada. O conhecimento das alternativas para pacientes alérgicos é crucial para evitar reações adversas graves sem comprometer a eficácia da prevenção.

Perguntas Frequentes

Quando deve ser administrada a primeira dose do antibiótico profilático?

A administração deve ocorrer idealmente entre 30 a 60 minutos antes da incisão cirúrgica para garantir que a concentração sérica e tecidual do antimicrobiano exceda a concentração inibitória mínima (CIM) dos patógenos prováveis no momento em que a pele é aberta. Para antibióticos com tempo de infusão longo, como a Vancomicina, a administração deve começar 60 a 120 minutos antes.

Quais são as alternativas para pacientes alérgicos à penicilina?

Para pacientes com histórico de reações de hipersensibilidade mediadas por IgE (anafilaxia, urticária) ou reações cutâneas graves a betalactâmicos, as alternativas recomendadas são a Clindamicina ou a Vancomicina. A escolha depende do perfil de resistência local e do tipo de cirurgia, visando cobrir principalmente Staphylococcus aureus e estreptococos.

É necessário manter o antibiótico por 24-48 horas após a cirurgia?

As diretrizes atuais da OMS e do CDC recomendam que, na maioria dos casos, a profilaxia seja interrompida imediatamente após o fechamento da pele ou, no máximo, em até 24 horas. A manutenção prolongada de antibióticos não reduz o risco de ISC e contribui significativamente para o aumento da resistência bacteriana e risco de infecção por Clostridioides difficile.

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