UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
A respeito da profilaxia antimicrobiana de infecções no sítio cirúrgico, pode-se afirmar que:
Alergia a betalactâmicos em profilaxia cirúrgica → Clindamicina ou Vancomicina são as alternativas.
A profilaxia antimicrobiana visa reduzir a carga bacteriana no sítio cirúrgico no momento da incisão. A Cefazolina é o padrão-ouro para a maioria dos procedimentos, mas em pacientes com hipersensibilidade grave a betalactâmicos, utilizam-se lincosamidas ou glicopeptídeos.
A profilaxia antimicrobiana é uma das medidas mais eficazes para a prevenção de infecções de sítio cirúrgico (ISC), que representam uma carga significativa de morbimortalidade hospitalar. O princípio fundamental é a presença de níveis terapêuticos do fármaco no tecido durante todo o período em que a ferida permanece aberta e exposta à contaminação ambiental ou da flora endógena. A escolha do agente depende do tipo de procedimento e dos patógenos mais prováveis. A Cefazolina (cefalosporina de 1ª geração) é amplamente utilizada devido ao seu espectro contra cocos Gram-positivos, meia-vida adequada e baixo custo. Em cirurgias colorretais ou ginecológicas, a cobertura para anaeróbios e Gram-negativos deve ser adicionada. O conhecimento das alternativas para pacientes alérgicos é crucial para evitar reações adversas graves sem comprometer a eficácia da prevenção.
A administração deve ocorrer idealmente entre 30 a 60 minutos antes da incisão cirúrgica para garantir que a concentração sérica e tecidual do antimicrobiano exceda a concentração inibitória mínima (CIM) dos patógenos prováveis no momento em que a pele é aberta. Para antibióticos com tempo de infusão longo, como a Vancomicina, a administração deve começar 60 a 120 minutos antes.
Para pacientes com histórico de reações de hipersensibilidade mediadas por IgE (anafilaxia, urticária) ou reações cutâneas graves a betalactâmicos, as alternativas recomendadas são a Clindamicina ou a Vancomicina. A escolha depende do perfil de resistência local e do tipo de cirurgia, visando cobrir principalmente Staphylococcus aureus e estreptococos.
As diretrizes atuais da OMS e do CDC recomendam que, na maioria dos casos, a profilaxia seja interrompida imediatamente após o fechamento da pele ou, no máximo, em até 24 horas. A manutenção prolongada de antibióticos não reduz o risco de ISC e contribui significativamente para o aumento da resistência bacteriana e risco de infecção por Clostridioides difficile.
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