UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher, 18a, secundigesta com parto vaginal anterior, idade gestacional de 31 semanas, procura Maternidade com quadro de ruptura espontânea de membranas e contrações uterinas; refere boa movimentação fetal. Antecedentes: apresentou inibição de trabalho de parto há cinco dias, tendo recebido duas doses de betametasona 12mg (total=24mg), com exames de rastreamento de infecção negativos e pesquisa de estreptococo do grupo B=negativa. Exame físico: bom estado geral; fácies de dor; afebril; FC=98bpm; PA=124/78mmHg; altura uterina=28cm; feto cefálico; BCF=156bpm; dinâmica uterina: 3 contrações fortes de 45 segundos em 10 minutos; exame especular: visualizada saída ativa de líquido amniótico claro sem grumos e sem odor do colo uterino, e dilatação de 4cm. Cardiotocografia=Categoria 1. O MEDICAMENTO NECESSÁRIO A SER PRESCRITO É:
RPMO + trabalho de parto prematuro = profilaxia ATB para GBS, mesmo com GBS negativo.
Em gestantes com ruptura prematura de membranas pré-termo e trabalho de parto prematuro, a profilaxia antibiótica para Estreptococo do Grupo B (GBS) é indicada para prevenir sepse neonatal precoce, independentemente do resultado da cultura de GBS, devido ao risco aumentado de infecção ascendente.
A ruptura prematura de membranas ovulares (RPMO) pré-termo, definida como a ruptura das membranas antes do início do trabalho de parto e antes de 37 semanas de gestação, é uma complicação obstétrica comum que afeta cerca de 3% das gestações. É uma das principais causas de parto prematuro e está associada a morbidade e mortalidade neonatal significativas, principalmente devido à prematuridade e infecção. O manejo adequado é crucial para otimizar os resultados maternos e neonatais. A fisiopatologia da RPMO envolve múltiplos fatores, incluindo infecções subclínicas, inflamação, deficiências nutricionais e estresse oxidativo. O diagnóstico é clínico, confirmado pela visualização de líquido amniótico no exame especular. A conduta inclui a avaliação da idade gestacional, sinais de infecção, bem-estar fetal e o status do trabalho de parto. A maturação pulmonar fetal com corticoides é fundamental para gestações entre 24 e 34 semanas e 6 dias, e a neuroproteção com sulfato de magnésio é considerada para gestações antes de 32 semanas. Um ponto crítico no manejo da RPMO pré-termo é a profilaxia antibiótica. Mesmo com cultura negativa para Estreptococo do Grupo B (GBS), a presença de RPMO e trabalho de parto prematuro impõe um risco elevado de sepse neonatal precoce. Portanto, a profilaxia antibiótica para GBS é mandatória nesses casos, geralmente com Penicilina G cristalina ou Ampicilina, para cobrir o período de latência e reduzir o risco de infecção ascendente. A tocólise é controversa e geralmente evitada em RPMO devido ao risco de mascarar infecção e prolongar a exposição fetal.
A profilaxia de GBS é indicada em gestantes com cultura positiva, bacteriúria por GBS, história de filho com doença invasiva por GBS, ou em situações de risco como trabalho de parto prematuro, RPMO > 18h ou febre intraparto, independentemente do status da cultura.
O esquema de primeira linha é Penicilina G cristalina intravenosa, com dose de ataque e manutenção. Alternativas incluem Ampicilina, e para alérgicas, Cefazolina, Clindamicina ou Vancomicina, dependendo do perfil de sensibilidade.
A maturação pulmonar fetal com corticoides (betametasona ou dexametasona) é indicada para gestações entre 24 e 34 semanas e 6 dias com risco de parto prematuro, para reduzir a incidência de síndrome do desconforto respiratório neonatal.
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