PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, 48 anos, 75 Kg, engenheiro, foi submetido a hepatectomia direita com duração de cinco horas. Houve sangramento considerável no perioperatório com necessidade de hemotransfusão. Foi utilizada, como antibiótico profilático, cefazolina, com repique na quarta hora. Não foram administradas doses pós operatórias. Em relação a esse caso e ao uso de antibiótico profilático em cirurgia, assinale alternativa CORRETA.
Sangramento excessivo ou cirurgia prolongada pode ↓ concentração do ATB profilático, exigindo repique para manter eficácia.
A eficácia da profilaxia antibiótica cirúrgica depende da manutenção de concentrações teciduais adequadas do antibiótico durante todo o procedimento. Fatores como sangramento excessivo, que leva à diluição e perda do fármaco, ou cirurgias prolongadas, que excedem a meia-vida do antibiótico, podem comprometer essa eficácia, justificando doses adicionais (repique).
A profilaxia antibiótica cirúrgica é uma medida crucial para reduzir o risco de infecções de sítio cirúrgico (ISC), uma das complicações mais comuns e onerosas em cirurgia. O objetivo é atingir e manter concentrações teciduais adequadas do antibiótico no local da incisão durante o período de maior risco de contaminação, que geralmente se estende do momento da incisão até algumas horas após o fechamento. A cefazolina é um antibiótico de primeira escolha para muitas cirurgias devido ao seu espectro de ação contra bactérias Gram-positivas, incluindo Staphylococcus aureus, e boa penetração tecidual. Contudo, a eficácia da profilaxia pode ser comprometida por diversos fatores. Cirurgias prolongadas (geralmente > 3-4 horas) ou com perda sanguínea significativa (acima de 1500 mL ou 10-15% do volume sanguíneo do paciente) podem levar à queda das concentrações séricas e teciduais do antibiótico abaixo do nível terapêutico. Nesses casos, a administração de doses adicionais (repique) é recomendada para garantir a manutenção da proteção. O sangramento excessivo, como o ocorrido na hepatectomia do caso, pode diluir o antibiótico no plasma e nos tecidos, além de promover sua eliminação, reduzindo sua eficácia. Para residentes, é fundamental compreender que a profilaxia antibiótica não é uma medida estática. Ela exige avaliação dinâmica de fatores intraoperatórios para otimizar a proteção. Prolongar a profilaxia além de 24 horas, no entanto, não demonstrou benefício adicional na prevenção de ISC e aumenta o risco de resistência antimicrobiana e efeitos adversos. Portanto, a atenção deve ser dada à administração correta e oportuna das doses, incluindo os repiques quando indicados, para maximizar a eficácia e minimizar os riscos.
O repique de antibiótico é necessário em cirurgias que excedem duas meias-vidas do antibiótico (geralmente > 3-4 horas) ou em casos de sangramento excessivo (> 1500 mL ou 10-15% do volume sanguíneo), para manter concentrações teciduais adequadas.
O sangramento excessivo durante o perioperatório pode levar à diluição do antibiótico no plasma e nos tecidos, além de promover sua eliminação, resultando em concentrações subterapêuticas e comprometendo a eficácia da profilaxia.
A profilaxia antibiótica cirúrgica idealmente deve ser de curta duração, geralmente uma única dose administrada antes da incisão. Em alguns casos, pode ser estendida por até 24 horas, mas não mais, para evitar resistência antimicrobiana e efeitos adversos.
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