Profilaxia Antibiótica em Cirurgia Colorretal: Guia Essencial

ENARE/ENAMED — Prova 2022

Enunciado

Em uma cirurgia colorretal, durante o procedimento, o cirurgião deve estar atento e fazer qual das seguintes recomendações ao colega anestesista?

Alternativas

  1. A) Administrar uma dose de vancomicina profilática logo após a incisão da pele.
  2. B) Administrar cefazolina + ampicilina-sulbactam na indução anestésica e repetir a dose após 6 horas.
  3. C) Administrar vancomicina na indução anestésica e manter por 24 horas.
  4. D) Administrar cefazolina + metronidazol na indução anestésica e repetir após aproximadamente 3 - 4 horas. 
  5. E) Administrar ampicilina-sulbactam na indução anestésica e manter por 48 horas.

Pérola Clínica

Cirurgia colorretal → Profilaxia ATB = Cefazolina + Metronidazol na indução anestésica, com repetição em 3-4h.

Resumo-Chave

A profilaxia antibiótica em cirurgias colorretais, consideradas contaminadas ou potencialmente contaminadas, deve cobrir bactérias gram-positivas, gram-negativas e anaeróbios. A combinação de cefazolina (para gram-positivos e alguns gram-negativos) e metronidazol (para anaeróbios) administrada na indução anestésica, com doses repetidas conforme a meia-vida do fármaco e duração da cirurgia, é a escolha padrão.

Contexto Educacional

A profilaxia antibiótica em cirurgias é uma medida crucial para reduzir a incidência de infecções do sítio cirúrgico (ISC), uma das complicações mais comuns e onerosas em procedimentos cirúrgicos. Em cirurgias colorretais, que são classificadas como potencialmente contaminadas ou contaminadas devido à presença de microbiota intestinal, a profilaxia é particularmente importante. O objetivo da profilaxia é garantir que haja níveis teciduais adequados de antibióticos no momento da incisão cirúrgica e durante todo o período crítico de exposição. O esquema antibiótico deve cobrir o espectro de patógenos esperados no cólon, que incluem bactérias gram-positivas (como Staphylococcus aureus), gram-negativas entéricas (como E. coli) e, crucialmente, anaeróbios (como Bacteroides fragilis). A combinação de cefazolina (uma cefalosporina de primeira geração, eficaz contra gram-positivos e alguns gram-negativos) e metronidazol (altamente eficaz contra anaeróbios) é amplamente recomendada. A administração deve ocorrer na indução anestésica (geralmente 30-60 minutos antes da incisão) e a dose pode ser repetida se a cirurgia for prolongada (geralmente a cada 3-4 horas, dependendo da meia-vida do fármaco) ou em caso de perda sanguínea maciça. A profilaxia não deve se estender por mais de 24 horas pós-operatório na maioria dos casos.

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo da profilaxia antibiótica em cirurgias colorretais?

O objetivo é reduzir o risco de infecção do sítio cirúrgico (ISC) ao atingir concentrações teciduais adequadas de antibióticos no momento da incisão, cobrindo os patógenos mais prováveis presentes no cólon.

Quais antibióticos são recomendados para profilaxia em cirurgia colorretal?

A combinação mais comum e eficaz é cefazolina (para bactérias gram-positivas e algumas gram-negativas) e metronidazol (para bactérias anaeróbias), administrados na indução anestésica.

Quando a dose de antibiótico profilático deve ser repetida durante a cirurgia?

A dose deve ser repetida se a cirurgia exceder duas meias-vidas do antibiótico ou se houver perda sanguínea significativa (>1500 mL), geralmente a cada 3-4 horas para cefazolina.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo