Profilaxia Antibiótica Cirúrgica: Momento e Duração Ideais

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022

Enunciado

Sobre infecção do sítio cirúrgico e uso de antibióticos em cirurgia, marque a opção CORRETA:

Alternativas

  1. A) Os locais mais comuns de infecção no paciente em pós-operatório são: sistema urinário, sistema digestório e ferida operatória;
  2. B) O antibiótico profilático está indicado na maior parte das cirurgia classificadas como limpa-contaminadas, como a colecistectomia por videolaparoscopia eletiva por exemplo;
  3. C) O momento ideal para administração do antibiótico profilático é no intervalo de 60 minutos antes da incisão e seu uso não deve se manter por mais de 24h na maioria dos casos;
  4. D) O período de uso do antibiótico terapêutico costuma durar, na maioria dos casos, 07 dias e sua interrupção não deve ocorrer antes disso mesmo se não houver persistência dos sinais de infecção a as culturas forem negativas, sob o risco de recidiva da infecção com agentes resistentes;
  5. E) As cefalosporinas de primeira e segunda geração são as drogas mais utilizadas para antibioticoprofilaxia e tem ação predominante sobre cocos gram positivos. As de terceira geração são mais usadas em antibioticoterapia e possuem mais ação sobre gram negativos e anaeróbicos.

Pérola Clínica

ATB profilático: 60 min pré-incisão, duração < 24h na maioria dos casos.

Resumo-Chave

A profilaxia antibiótica em cirurgia deve ser administrada no momento certo (geralmente 30-60 minutos antes da incisão) para garantir níveis teciduais adequados no momento da contaminação potencial e não deve ser prolongada desnecessariamente (geralmente < 24h) para evitar resistência e efeitos adversos.

Contexto Educacional

A infecção do sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais comuns e onerosas da cirurgia, impactando significativamente a morbidade, mortalidade e custos hospitalares. A profilaxia antibiótica cirúrgica é uma estratégia fundamental para reduzir a incidência de ISC, especialmente em cirurgias classificadas como limpas-contaminadas ou contaminadas, ou em procedimentos limpos com alto risco de infecção. A correta aplicação da profilaxia é crucial para a segurança do paciente e a otimização dos recursos de saúde. A eficácia da profilaxia antibiótica depende de fatores como a escolha do antibiótico, a dose, e, criticamente, o momento e a duração da administração. O objetivo é ter níveis séricos e teciduais adequados do antibiótico no momento da incisão e durante o período de maior risco de contaminação. A administração tardia ou precoce demais pode comprometer a eficácia, enquanto a manutenção prolongada aumenta o risco de resistência antimicrobiana e efeitos colaternos, sem benefício adicional na prevenção de ISC. As diretrizes atuais recomendam a administração do antibiótico profilático dentro de 30 a 60 minutos antes da incisão cirúrgica e sua interrupção em até 24 horas após a cirurgia na maioria dos casos. As cefalosporinas de primeira e segunda geração são as mais indicadas devido ao seu espectro de ação contra patógenos comuns. O conhecimento e a aplicação correta desses princípios são essenciais para residentes e profissionais de cirurgia, visando a prevenção de ISC e a promoção do uso racional de antibióticos.

Perguntas Frequentes

Qual o momento ideal para administrar o antibiótico profilático antes da cirurgia?

O momento ideal para a administração do antibiótico profilático é entre 30 e 60 minutos antes da incisão cirúrgica. Isso garante que o antibiótico atinja concentrações teciduais adequadas no momento da contaminação potencial, que ocorre durante a incisão e manipulação dos tecidos.

Por quanto tempo o antibiótico profilático deve ser mantido no pós-operatório?

Na maioria dos casos, o uso do antibiótico profilático não deve se estender por mais de 24 horas no pós-operatório. A manutenção prolongada não demonstrou benefício adicional na prevenção de infecções do sítio cirúrgico e aumenta o risco de resistência bacteriana e efeitos adversos.

Quais são as principais classes de antibióticos usadas na profilaxia cirúrgica?

As cefalosporinas de primeira e segunda geração (como cefazolina e cefuroxima) são as drogas mais utilizadas para antibioticoprofilaxia, devido à sua boa cobertura contra cocos gram-positivos, que são os principais patógenos em muitas infecções cirúrgicas. Em casos de alergia, outras opções podem ser consideradas.

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