PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015
J.N.V.C., 45 anos, sexo masculino, foi submetido à hernioplastia umbilical sem colocação de tela. Não foi utilizado antibiótico profilático. No pós-operatório, evoluiu com dor, sinais flogísticos locais e drenagem de secreção purulenta pela ferida operatória. Em relação às infecções em áreas cirúrgicas, assinale a alternativa ERRADA:
Hernioplastia umbilical sem tela é cirurgia limpa; profilaxia ATB não é rotineiramente indicada, exceto em alto risco.
A hernioplastia umbilical sem colocação de tela é classificada como cirurgia limpa, para a qual a profilaxia antibiótica não é rotineiramente indicada, a menos que o paciente apresente fatores de alto risco para infecção do sítio cirúrgico.
A Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC) é uma das complicações pós-operatórias mais comuns, resultando em aumento da morbidade, mortalidade e custos hospitalares. A prevenção da ISC é multifacetada, envolvendo desde o preparo pré-operatório até os cuidados pós-operatórios. A classificação da ferida cirúrgica (limpa, limpa-contaminada, contaminada, infectada) é fundamental para guiar a necessidade de profilaxia antibiótica. A fisiopatologia da ISC envolve a contaminação da ferida cirúrgica por microrganismos, geralmente da própria pele do paciente (ex: Staphylococcus aureus) ou do trato gastrointestinal. Fatores como a raspagem prévia dos pelos (que causa microlesões na pele), hipotermia e hipóxia tecidual comprometem as defesas do hospedeiro, favorecendo a proliferação bacteriana. A profilaxia antibiótica deve ser administrada no momento certo (geralmente 30-60 minutos antes da incisão) e com o espectro adequado para ser eficaz. O tratamento da ISC estabelecida geralmente envolve a abertura da ferida, drenagem da secreção purulenta, desbridamento de tecidos desvitalizados e, se necessário, antibioticoterapia direcionada. A educação sobre as melhores práticas de prevenção de ISC é crucial para residentes, incluindo a técnica cirúrgica asséptica, o manejo adequado da temperatura e oxigenação do paciente, e a indicação criteriosa da profilaxia antibiótica para otimizar os resultados e reduzir complicações.
Fatores que aumentam o risco de ISC incluem tempo cirúrgico prolongado, má técnica cirúrgica, contaminação intraoperatória, hipotermia, hipóxia, má nutrição, diabetes mellitus, obesidade, imunossupressão, e preparo inadequado da pele (como raspagem de pelos).
A profilaxia antibiótica é indicada para cirurgias limpas com implante de prótese (como tela em hernioplastia), cirurgias limpas-contaminadas (ex: cirurgia colorretal), cirurgias contaminadas e cirurgias infectadas. Para cirurgias limpas sem implante, como uma hernioplastia umbilical simples, geralmente não é indicada, exceto em pacientes de alto risco.
A manutenção da normotermia e a administração de oxigênio suplementar (FiO2 de 80% ou mais) durante e após a cirurgia são medidas eficazes para reduzir a taxa de ISC. A normotermia melhora a função imunológica e a perfusão tecidual, enquanto o oxigênio suplementar aumenta a tensão de oxigênio nos tecidos, otimizando a capacidade bactericida dos neutrófilos.
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