Profilaxia Antibiótica em Cirurgia: Quando Indicar e Evitar ISC

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015

Enunciado

J.N.V.C., 45 anos, sexo masculino, foi submetido à hernioplastia umbilical sem colocação de tela. Não foi utilizado antibiótico profilático. No pós-operatório, evoluiu com dor, sinais flogísticos locais e drenagem de secreção purulenta pela ferida operatória. Em relação às infecções em áreas cirúrgicas, assinale a alternativa ERRADA:

Alternativas

  1. A) A manutenção da normotermia e a fração de oxigênio inspirado (FiO2) em 80% ou mais, na sala de operação, reduz a taxa de infecção do sítio operatório.
  2. B) Essa infecção pode ter sido favorecida pela realização de eventual raspagem prévia dos pelos abdominais. 
  3. C) Este paciente deveria ter recebido antibiótico profilático venoso antes da incisão cirúrgica.
  4. D) O Staphylococcus aureus é um dos patógenos mais prováveis nas infecções incisionais após esse tipo de operação.

Pérola Clínica

Hernioplastia umbilical sem tela é cirurgia limpa; profilaxia ATB não é rotineiramente indicada, exceto em alto risco.

Resumo-Chave

A hernioplastia umbilical sem colocação de tela é classificada como cirurgia limpa, para a qual a profilaxia antibiótica não é rotineiramente indicada, a menos que o paciente apresente fatores de alto risco para infecção do sítio cirúrgico.

Contexto Educacional

A Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC) é uma das complicações pós-operatórias mais comuns, resultando em aumento da morbidade, mortalidade e custos hospitalares. A prevenção da ISC é multifacetada, envolvendo desde o preparo pré-operatório até os cuidados pós-operatórios. A classificação da ferida cirúrgica (limpa, limpa-contaminada, contaminada, infectada) é fundamental para guiar a necessidade de profilaxia antibiótica. A fisiopatologia da ISC envolve a contaminação da ferida cirúrgica por microrganismos, geralmente da própria pele do paciente (ex: Staphylococcus aureus) ou do trato gastrointestinal. Fatores como a raspagem prévia dos pelos (que causa microlesões na pele), hipotermia e hipóxia tecidual comprometem as defesas do hospedeiro, favorecendo a proliferação bacteriana. A profilaxia antibiótica deve ser administrada no momento certo (geralmente 30-60 minutos antes da incisão) e com o espectro adequado para ser eficaz. O tratamento da ISC estabelecida geralmente envolve a abertura da ferida, drenagem da secreção purulenta, desbridamento de tecidos desvitalizados e, se necessário, antibioticoterapia direcionada. A educação sobre as melhores práticas de prevenção de ISC é crucial para residentes, incluindo a técnica cirúrgica asséptica, o manejo adequado da temperatura e oxigenação do paciente, e a indicação criteriosa da profilaxia antibiótica para otimizar os resultados e reduzir complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores que aumentam o risco de Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC)?

Fatores que aumentam o risco de ISC incluem tempo cirúrgico prolongado, má técnica cirúrgica, contaminação intraoperatória, hipotermia, hipóxia, má nutrição, diabetes mellitus, obesidade, imunossupressão, e preparo inadequado da pele (como raspagem de pelos).

Quando a profilaxia antibiótica é indicada em cirurgias?

A profilaxia antibiótica é indicada para cirurgias limpas com implante de prótese (como tela em hernioplastia), cirurgias limpas-contaminadas (ex: cirurgia colorretal), cirurgias contaminadas e cirurgias infectadas. Para cirurgias limpas sem implante, como uma hernioplastia umbilical simples, geralmente não é indicada, exceto em pacientes de alto risco.

Qual o papel da normotermia e oxigênio suplementar na prevenção de ISC?

A manutenção da normotermia e a administração de oxigênio suplementar (FiO2 de 80% ou mais) durante e após a cirurgia são medidas eficazes para reduzir a taxa de ISC. A normotermia melhora a função imunológica e a perfusão tecidual, enquanto o oxigênio suplementar aumenta a tensão de oxigênio nos tecidos, otimizando a capacidade bactericida dos neutrófilos.

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