Profilaxia Antibiótica em Cirróticos com HDA por Varizes

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020

Enunciado

Sobre a utilização de antibióticos profiláticos nos pacientes cirróticos atendidos por hemorragia digestiva alta por varizes de esôfago, assinale a CORRETA:

Alternativas

  1. A) Está indicada para todos os pacientes independentemente da gravidade da doença de base.
  2. B) Está indicada apenas se alguma intervenção endoscópica for realizada.
  3. C) Foi associada à diminuição das taxas de infecções, mas sem impacto na sobrevida.
  4. D) Como o objetivo é a descontaminação intestinal, a via parenteral é menos eficaz e deve ser evitada.

Pérola Clínica

Cirrótico com HDA por varizes → Profilaxia antibiótica SEMPRE (reduz infecção e mortalidade).

Resumo-Chave

A profilaxia antibiótica em pacientes cirróticos com hemorragia digestiva alta (HDA) por varizes de esôfago é uma medida padrão e universalmente indicada, independentemente da gravidade da doença hepática. Ela demonstrou reduzir significativamente as taxas de infecções bacterianas (como PBE) e, consequentemente, a mortalidade, sendo crucial para o manejo desses pacientes.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) por varizes de esôfago é uma complicação grave da cirrose hepática, associada a alta morbidade e mortalidade. Pacientes cirróticos com HDA apresentam um risco significativamente elevado de desenvolver infecções bacterianas graves, como peritonite bacteriana espontânea (PBE), pneumonia, infecção do trato urinário e bacteremia. Essas infecções são um fator prognóstico negativo, aumentando as taxas de ressangramento e mortalidade. A fisiopatologia do aumento do risco de infecção em cirróticos com HDA envolve múltiplos fatores. A própria hemorragia e o choque hipovolêmico comprometem a função imune. Além disso, a cirrose causa disbiose intestinal e aumento da permeabilidade da barreira intestinal, facilitando a translocação bacteriana do lúmen intestinal para a circulação sistêmica e para o líquido ascítico. A profilaxia antibiótica visa combater essa translocação e prevenir infecções. Estudos demonstraram consistentemente que a profilaxia antibiótica em pacientes cirróticos com HDA por varizes é eficaz na redução da incidência de infecções bacterianas, ressangramento e mortalidade. Por isso, é uma recomendação padrão e deve ser iniciada o mais precocemente possível em todos os pacientes com cirrose e HDA por varizes, independentemente da gravidade da doença hepática. Os antibióticos de escolha incluem ceftriaxona intravenosa por 7 dias para pacientes hospitalizados ou fluoroquinolonas orais (como norfloxacino) para casos selecionados.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes cirróticos com HDA por varizes têm alto risco de infecção?

Pacientes cirróticos têm disfunção imune, translocação bacteriana intestinal aumentada e comprometimento da barreira intestinal, o que os torna altamente suscetíveis a infecções bacterianas, especialmente após um evento estressor como a HDA.

Quais são os antibióticos mais indicados para profilaxia em HDA por varizes?

A ceftriaxona intravenosa (1g/dia por 7 dias) é a escolha preferencial para pacientes hospitalizados. Para pacientes ambulatoriais ou com menor risco, fluoroquinolonas orais como norfloxacino podem ser usadas, mas a ceftriaxona é mais eficaz e amplamente recomendada.

Qual o impacto da profilaxia antibiótica na sobrevida de pacientes cirróticos com HDA?

A profilaxia antibiótica demonstrou reduzir significativamente a incidência de infecções bacterianas (como PBE, pneumonia e ITU), a taxa de ressangramento e, mais importante, a mortalidade geral nesses pacientes.

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