CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020
Sobre a utilização de antibióticos profiláticos nos pacientes cirróticos atendidos por hemorragia digestiva alta por varizes de esôfago, assinale a CORRETA:
Cirrótico com HDA por varizes → Profilaxia antibiótica SEMPRE (reduz infecção e mortalidade).
A profilaxia antibiótica em pacientes cirróticos com hemorragia digestiva alta (HDA) por varizes de esôfago é uma medida padrão e universalmente indicada, independentemente da gravidade da doença hepática. Ela demonstrou reduzir significativamente as taxas de infecções bacterianas (como PBE) e, consequentemente, a mortalidade, sendo crucial para o manejo desses pacientes.
A hemorragia digestiva alta (HDA) por varizes de esôfago é uma complicação grave da cirrose hepática, associada a alta morbidade e mortalidade. Pacientes cirróticos com HDA apresentam um risco significativamente elevado de desenvolver infecções bacterianas graves, como peritonite bacteriana espontânea (PBE), pneumonia, infecção do trato urinário e bacteremia. Essas infecções são um fator prognóstico negativo, aumentando as taxas de ressangramento e mortalidade. A fisiopatologia do aumento do risco de infecção em cirróticos com HDA envolve múltiplos fatores. A própria hemorragia e o choque hipovolêmico comprometem a função imune. Além disso, a cirrose causa disbiose intestinal e aumento da permeabilidade da barreira intestinal, facilitando a translocação bacteriana do lúmen intestinal para a circulação sistêmica e para o líquido ascítico. A profilaxia antibiótica visa combater essa translocação e prevenir infecções. Estudos demonstraram consistentemente que a profilaxia antibiótica em pacientes cirróticos com HDA por varizes é eficaz na redução da incidência de infecções bacterianas, ressangramento e mortalidade. Por isso, é uma recomendação padrão e deve ser iniciada o mais precocemente possível em todos os pacientes com cirrose e HDA por varizes, independentemente da gravidade da doença hepática. Os antibióticos de escolha incluem ceftriaxona intravenosa por 7 dias para pacientes hospitalizados ou fluoroquinolonas orais (como norfloxacino) para casos selecionados.
Pacientes cirróticos têm disfunção imune, translocação bacteriana intestinal aumentada e comprometimento da barreira intestinal, o que os torna altamente suscetíveis a infecções bacterianas, especialmente após um evento estressor como a HDA.
A ceftriaxona intravenosa (1g/dia por 7 dias) é a escolha preferencial para pacientes hospitalizados. Para pacientes ambulatoriais ou com menor risco, fluoroquinolonas orais como norfloxacino podem ser usadas, mas a ceftriaxona é mais eficaz e amplamente recomendada.
A profilaxia antibiótica demonstrou reduzir significativamente a incidência de infecções bacterianas (como PBE, pneumonia e ITU), a taxa de ressangramento e, mais importante, a mortalidade geral nesses pacientes.
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