SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024
Uma criança de 1 ano de idade foi levada para consulta de rotina. Na história clínica, a mãe referiu desmame completo aos 3 meses de vida, passando a ofertar leite de vaca integral. Negou uso de ferro oral até o momento. Foram solicitados exames complementares para avaliar possível deficiência de ferro.Acerca do referido caso clínico, poucos dias depois, os pais retornaram com os resultados dos exames, os quais revelaram todos os parâmetros dentro da normalidade, não havendo sinais de deficiência de ferro ou anemia. Assinale a alternativa que corresponde à conduta a ser adotada nesse caso.
Ferro profilático é obrigatório até 24 meses se houver fatores de risco, mesmo com exames normais.
A profilaxia com ferro visa manter os estoques corporais durante fases de crescimento acelerado, sendo essencial em crianças expostas precocemente ao leite de vaca integral.
A deficiência de ferro é a carência nutricional mais comum no mundo e a principal causa de anemia na infância. O impacto da falta de ferro vai além do sangue, afetando o desenvolvimento psicomotor, a imunidade e a função cognitiva, muitas vezes de forma irreversível. Por isso, as diretrizes brasileiras são rigorosas quanto à suplementação universal em grupos de risco. O caso destaca um erro comum na transição alimentar: o uso de leite de vaca integral antes de 1 ano de idade. O leite de vaca é pobre em ferro, tem baixa biodisponibilidade e sua proteína íntegra pode causar irritação na mucosa intestinal, levando a perdas ocultas de sangue. Mesmo que a criança apresente exames normais no momento da consulta, a história de desmame precoce aos 3 meses e o uso de leite inadequado tornam a suplementação profilática mandatória para prevenir o declínio futuro dos níveis de ferritina.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a suplementação de ferro profilática deve ser iniciada aos 3 meses de vida para recém-nascidos a termo e de peso adequado, independentemente do tipo de aleitamento, e mantida até os 24 meses. Para prematuros ou recém-nascidos de baixo peso, o início é mais precoce (30 dias de vida). O objetivo é prevenir a deficiência de ferro antes que ela progrida para anemia clínica, protegendo o desenvolvimento neurocognitivo da criança.
A suplementação profilática é uma medida de saúde pública baseada no risco epidemiológico e fisiológico. Crianças entre 6 e 24 meses têm alta demanda de ferro devido ao crescimento rápido. Se houver fatores de risco, como o uso de leite de vaca integral (que possui baixa biodisponibilidade de ferro e pode causar micro-hemorragias intestinais), os estoques de ferro podem se esgotar rapidamente. Exames normais hoje não garantem que a criança manterá níveis adequados nos meses seguintes sem a suplementação.
Para crianças a termo com peso adequado, a dose profilática recomendada pela SBP é de 1 mg de ferro elementar por kg de peso ao dia, iniciando aos 3 meses até os 24 meses. Em situações de alto risco ou quando a criança já apresenta deficiência instalada, a dose passa a ser terapêutica (geralmente 3 a 6 mg/kg/dia). No caso clínico apresentado, como os exames estão normais, a conduta correta é a dose profilática para garantir a manutenção dos estoques.
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