UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022
O produto do metabolismo anaeróbico periférico da glicose nas situações de injúria e trauma, que se torna substrato para o Ciclo de Cori no fígado, é:
Metabolismo anaeróbico periférico da glicose → lactato → fígado → Ciclo de Cori (gliconeogênese).
Em situações de injúria e trauma, a demanda energética tecidual pode exceder o suprimento de oxigênio, levando ao metabolismo anaeróbico da glicose. O principal produto desse processo é o lactato, que é então transportado para o fígado, onde é convertido de volta em glicose através do Ciclo de Cori, um mecanismo vital para manter a glicemia.
O metabolismo energético do corpo humano é finamente regulado, adaptando-se às demandas fisiológicas e patológicas. Em condições de injúria e trauma, o organismo entra em um estado hipermetabólico e catabólico, onde a demanda por energia aumenta drasticamente. Se o suprimento de oxigênio for insuficiente para atender a essa demanda, os tecidos periféricos, como o músculo esquelético, recorrem à glicólise anaeróbica para produzir ATP. O produto final dessa via é o piruvato, que, na ausência de oxigênio, é convertido em lactato pela enzima lactato desidrogenase (LDH). O lactato produzido em excesso nos tecidos periféricos é liberado na corrente sanguínea e transportado até o fígado. No fígado, o lactato serve como substrato para a gliconeogênese, um processo que sintetiza glicose a partir de precursores não carboidratos. Essa via de reciclagem de lactato em glicose no fígado, que é então liberada na circulação para ser utilizada por outros tecidos, é conhecida como Ciclo de Cori. Este ciclo é vital para a manutenção da glicemia em situações de estresse, prevenindo a hipoglicemia e fornecendo energia para órgãos vitais. Para o residente, a compreensão do Ciclo de Cori é fundamental na avaliação de pacientes em choque, sepse ou trauma, onde os níveis de lactato sérico são marcadores importantes de hipoperfusão e metabolismo anaeróbico. A elevação do lactato indica uma falha no suprimento de oxigênio e a ativação do metabolismo anaeróbico, servindo como um guia para a ressuscitação e o manejo do paciente crítico. O conhecimento dessa via metabólica auxilia na interpretação de exames laboratoriais e na compreensão das bases fisiopatológicas das disfunções orgânicas.
O Ciclo de Cori, também conhecido como ciclo do ácido lático, é uma via metabólica que envolve a conversão de lactato, produzido durante a glicólise anaeróbica em tecidos periféricos (como músculos), em glicose no fígado, através da gliconeogênese. Essa glicose pode então ser liberada na corrente sanguínea para ser utilizada por outros tecidos.
Em situações de injúria e trauma, pode haver hipoperfusão tecidual e hipóxia, resultando em um suprimento inadequado de oxigênio para as células. Isso força o metabolismo da glicose a seguir a via anaeróbica (glicólise anaeróbica), que produz lactato como produto final para regenerar NAD+ e permitir a continuidade da produção de ATP em menor escala.
O Ciclo de Cori é crucial para a manutenção da homeostase energética, especialmente em condições de estresse metabólico ou exercício intenso. Ele permite que o lactato, um produto potencialmente prejudicial, seja reciclado em glicose pelo fígado, fornecendo um substrato energético vital para tecidos que dependem primariamente de glicose, como o cérebro e as células vermelhas do sangue.
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