AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024
Paciente de 32 anos procura atendimento por conta de perda ponderal importante (aproximadamente 15Kg nos últimos 6 meses) e percepção de língua esbranquiçada e disfagia para sólidos nas últimas semanas. Exames confirmaram diagnóstico de HIV. Dosado CD4 e carga viral, com valores de 80 células/mm3 e 200.000 cópias respectivamente. Sobre a condução do caso, assinale a alternativa correta.
HIV com CD4 < 200 + disfagia + monilíase oral → Esofagite por Cândida.
Pacientes com HIV e imunossupressão grave (CD4 < 200 células/mm³) são altamente suscetíveis a infecções oportunistas. A presença de monilíase oral (língua esbranquiçada) e disfagia em um paciente com CD4 tão baixo (80 células/mm³) é fortemente sugestiva de esofagite por Cândida, que é a causa mais comum de disfagia em pacientes com AIDS.
A infecção pelo HIV, quando não tratada, leva à imunodeficiência progressiva, caracterizada pela queda da contagem de linfócitos T CD4+. Pacientes com CD4 abaixo de 200 células/mm³ são classificados como tendo AIDS e estão em alto risco para infecções oportunistas. A perda ponderal significativa e a disfagia são sintomas comuns nessa fase avançada da doença, indicando a necessidade de investigação imediata. A fisiopatologia da disfagia em pacientes com HIV/AIDS está frequentemente ligada a infecções oportunistas que afetam o esôfago. A monilíase esofágica, causada por Candida albicans, é a causa mais comum de esofagite em pacientes com AIDS, especialmente quando há monilíase oral concomitante e CD4 abaixo de 200. Outras causas incluem esofagite por citomegalovírus (CMV) ou herpes simplex (HSV), que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial. A condução do caso de um paciente com HIV e imunossupressão grave requer início imediato da Terapia Antirretroviral (TARV) e profilaxia para infecções oportunistas, conforme as diretrizes. Para a disfagia, a hipótese principal de esofagite por Cândida pode ser tratada empiricamente com antifúngicos sistêmicos (ex: fluconazol), mas a endoscopia digestiva alta com biópsia é o padrão-ouro para confirmação diagnóstica e exclusão de outras etiologias, especialmente se não houver resposta ao tratamento empírico ou se houver suspeita de outras causas. A profilaxia para micobacteriose atípica (MAC) é indicada para CD4 < 50 células/mm³, e para tuberculose, o esquema RIPE é tratamento, não profilaxia, e deve ser iniciado após confirmação ou forte suspeita de TB ativa.
Os principais sinais e sintomas incluem disfagia (dificuldade para engolir), odinofagia (dor ao engolir), dor retroesternal e, frequentemente, a presença de monilíase oral (placas esbranquiçadas na boca e língua).
Embora a presença de monilíase oral e disfagia em paciente com CD4 baixo seja altamente sugestiva, o diagnóstico definitivo é feito por endoscopia digestiva alta com biópsia e cultura, para diferenciar de outras causas de esofagite oportunista.
Além da Cândida, outras infecções oportunistas que podem causar esofagite e disfagia em pacientes com HIV incluem citomegalovírus (CMV), vírus herpes simplex (HSV) e, menos comumente, Mycobacterium avium complex (MAC).
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