Diagnóstico de Proctocolite Alérgica por Leite de Vaca

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Menina, 40 dias de vida, começou a apresentar hematoquezia em todas as evacuações 7 dias após a introdução de fórmula láctea de partida. Na consulta pediátrica foi feita hipótese de alergia ao leite de vaca, a fórmula láctea de partida foi suspensa e substituída por fórmula de proteína extensamente hidrolisada. A lactente parou de apresentar hematoquezia após 5 dias. Exames laboratoriais coletados no dia da consulta: hemograma e ferritina normais e RAST para leite de vaca negativo. Após 2 semanas foi reintroduzida a fórmula láctea de partida e depois de 3 dias a hematoquezia reapareceu. O diagnóstico de proctocolite induzida por leite de vaca está confirmado?

Alternativas

  1. A) Sim, porque a hematoquezia reapareceu poucos dias após a reintrodução da lactose na dieta do lactente.
  2. B) Não, porque o RAST para leite de vaca é negativo.
  3. C) Não, porque não foi solicitada colonoscopia com biópsias.
  4. D) Sim, porque a hematoquezia reapareceu poucos dias após a reintrodução da proteína do leite de vaca na dieta do lactente.

Pérola Clínica

Proctocolite alérgica (APLV não IgE) = Diagnóstico clínico via exclusão + melhora + recidiva no TPO.

Resumo-Chave

O diagnóstico de proctocolite alérgica é clínico e baseado na resposta à dieta de exclusão seguida de recidiva dos sintomas no teste de provocação oral (TPO).

Contexto Educacional

A proctocolite alérgica é uma das manifestações mais comuns de APLV no primeiro semestre de vida. Caracteriza-se por sangramento retal (estrias de sangue ou hematoquezia) em lactentes com bom estado geral e ganho ponderal adequado. Por ser uma reação de hipersensibilidade do tipo IV (celular), o diagnóstico depende estritamente da correlação clínica entre a ingestão do alérgeno e o aparecimento dos sintomas. O caso clínico demonstra o ciclo clássico: introdução da proteína → sintomas → exclusão com fórmula hidrolisada → melhora → reintrodução (TPO) → recidiva. Este ciclo fecha o diagnóstico conforme os consensos internacionais e brasileiros de alergia alimentar. É fundamental tranquilizar a família de que a proctocolite tem excelente prognóstico, com a maioria das crianças adquirindo tolerância até o primeiro ou segundo ano de vida.

Perguntas Frequentes

O RAST negativo exclui o diagnóstico de APLV?

Não. A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) pode ser classificada em IgE mediada, não IgE mediada ou mista. A proctocolite alérgica, manifestada tipicamente por hematochezia em lactentes que aparentam estar bem, é uma forma classicamente não IgE mediada. Nesses casos, os exames laboratoriais que buscam IgE específica (como o RAST ou o prick test) serão negativos, pois o mecanismo fisiopatológico envolve células (linfócitos T) e não anticorpos IgE.

Como é realizado o Teste de Provocação Oral (TPO) na proctocolite?

O TPO consiste na reintrodução orientada da proteína suspeita após um período de exclusão (geralmente 2 a 4 semanas) com melhora dos sintomas. Na proctocolite, o TPO pode ser feito em ambiente domiciliar se os sintomas prévios foram leves (apenas estrias de sangue). Se houver recorrência dos sintomas (como a volta da hematochezia), o diagnóstico é confirmado. É a ferramenta padrão-ouro para confirmar a alergia e evitar dietas restritivas desnecessárias.

Quando indicar fórmula extensamente hidrolisada?

A fórmula extensamente hidrolisada (FEH) é indicada como primeira linha no tratamento de lactentes com suspeita de APLV que não estão em aleitamento materno exclusivo ou quando a mãe não consegue realizar a dieta de exclusão. A FEH contém proteínas quebradas em pequenos peptídeos que não são reconhecidos pelo sistema imune na maioria dos casos. Se não houver melhora com FEH, pode-se considerar a fórmula de aminoácidos.

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