UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Menino, 55 dias de vida, vem à consulta de puericultura referindo sangramento vivo nas fezes iniciado há 4 dias. A mãe informa que teve uma gestação sem intercorrências, a criança nasceu a termo com peso adequado para gestação, recebendo fórmula infantil na maternidade, pois seu leite não tinha descido (sic), no momento em aleitamento materno exclusivo. Ao exame físico encontra-se em BEG, sem alterações cardiorrespiratórias ou cutâneas, com ganho ponderal no limite do esperado, com hematoquezia evidenciada. Frente ao quadro referido assinale a alternativa correta:
Hematoquezia em lactente amamentado + exposição prévia a fórmula = Proctocolite alérgica (APLV não IgE), manter AM com dieta materna.
O quadro de hematoquezia em um lactente de 55 dias, com bom estado geral e ganho ponderal adequado, que foi exposto a fórmula infantil e agora está em aleitamento materno exclusivo, é altamente sugestivo de proctocolite alérgica induzida por proteína alimentar, mais comumente APLV não mediada por IgE. Nesses casos, o leite materno deve ser mantido, com a mãe realizando dieta de exclusão de proteínas do leite de vaca.
A proctocolite alérgica induzida por proteína alimentar é uma das manifestações mais comuns da alergia à proteína do leite de vaca (APLV) em lactentes, especialmente na forma não mediada por IgE. Caracteriza-se por inflamação do reto e cólon, resultando em sangramento nas fezes. É mais frequente em bebês amamentados que foram expostos a proteínas do leite de vaca através da dieta materna ou de fórmulas infantis. Clinicamente, os lactentes com proctocolite alérgica geralmente apresentam bom estado geral, bom ganho ponderal e sangramento vivo nas fezes, que pode ser em estrias ou em maior volume, com ou sem muco. A ausência de outros sintomas sistêmicos (vômitos, diarreia grave, baixo ganho ponderal, anafilaxia) sugere a forma não mediada por IgE. O diagnóstico é feito pela exclusão de outras causas de sangramento e pela resposta à dieta de exclusão. O manejo envolve a manutenção do aleitamento materno, com a mãe adotando uma dieta rigorosa de exclusão de proteínas do leite de vaca. Em casos de falha da dieta materna ou em lactentes em uso de fórmula, indica-se fórmula extensamente hidrolisada. Fórmulas de soja não são recomendadas para menores de 6 meses devido ao potencial de reatividade cruzada. A maioria dos casos de proctocolite alérgica tem bom prognóstico e resolução espontânea até o primeiro ano de vida.
A proctocolite alérgica manifesta-se principalmente por sangramento nas fezes (hematoquezia), que pode variar de estrias de sangue a sangue vivo, em lactentes geralmente com bom estado geral e ganho ponderal adequado. Pode haver muco nas fezes.
O diagnóstico de APLV não mediada por IgE é clínico, baseado nos sintomas e na resposta à dieta de exclusão. Não há testes laboratoriais específicos (como IgE específica) que confirmem esse tipo de alergia.
A conduta inicial é manter o aleitamento materno e orientar a mãe a realizar uma dieta de exclusão rigorosa de proteínas do leite de vaca (e derivados), observando a melhora dos sintomas do bebê. A reintrodução deve ser feita sob orientação médica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo