Sangramento Retal em Lactentes: Manejo da APLV

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Lactente com 1 mês de vida é levado para atendimento, pois apresentou dois episódios de sangramento vivo, de pequena monta, em fezes. Nascido de parto normal, a termo, sem intercorrências neonatais, está em aleitamento materno exclusivo. A mãe refere que o acha bastante irritado e, por vezes, nota distensão abdominal. O exame físico é normal e o exame do ânus não mostra fissura. A conduta terapêutica adequada é:

Alternativas

  1. A) manter aleitamento materno e suspender proteína do leite de vaca da dieta da mãe
  2. B) suspender aleitamento materno e iniciar fórmula à base de proteína de soja
  3. C) manter aleitamento materno e diminuir ingestão de lactose pela mãe
  4. D) suspender aleitamento materno e iniciar fórmula láctea sem lactose

Pérola Clínica

Lactente em aleitamento exclusivo com sangramento retal e irritabilidade → suspeitar APLV, iniciar dieta de exclusão de PLV para a mãe.

Resumo-Chave

Sangramento retal em pequena monta em lactente em aleitamento materno exclusivo, sem fissura anal e com irritabilidade/distensão abdominal, é altamente sugestivo de proctocolite alérgica induzida por proteína do leite de vaca (APLV). A conduta inicial é a dieta de exclusão de PLV pela mãe, mantendo o aleitamento.

Contexto Educacional

O sangramento retal em lactentes é uma queixa comum na pediatria e, na maioria das vezes, benigna. Em lactentes jovens, especialmente aqueles em aleitamento materno exclusivo, a principal hipótese diagnóstica para sangramento vivo de pequena monta nas fezes, acompanhado de irritabilidade e distensão abdominal, é a proctocolite alérgica induzida por proteína do leite de vaca (APLV). Esta condição ocorre quando proteínas alergênicas, como as do leite de vaca, são transferidas da dieta materna para o leite materno e desencadeiam uma resposta inflamatória no trato gastrointestinal do bebê. O diagnóstico é clínico, baseado na história e nos sintomas, e o exame físico geralmente é normal, sem evidência de fissuras anais ou outras causas óbvias de sangramento. A conduta terapêutica adequada e de primeira linha é manter o aleitamento materno, que é crucial para a saúde do bebê, e orientar a mãe a iniciar uma dieta de exclusão rigorosa de proteína do leite de vaca (e derivados) de sua própria alimentação. A resposta à dieta de exclusão geralmente é observada em dias a poucas semanas, com a melhora dos sintomas. A suspensão do aleitamento materno e a introdução de fórmulas de soja ou sem lactose não são as condutas iniciais recomendadas, pois a soja também pode ser alergênica e a lactose não é o problema na APLV. A manutenção do aleitamento materno, com a dieta de exclusão materna, é a estratégia que oferece o melhor benefício para o lactente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da proctocolite alérgica em lactentes?

Os sinais incluem sangramento retal (raias de sangue nas fezes, muco), irritabilidade, distensão abdominal, regurgitação e, em casos mais graves, baixo ganho de peso. Geralmente ocorre em lactentes em aleitamento materno exclusivo ou que iniciaram fórmula recentemente.

Por que a dieta de exclusão da proteína do leite de vaca na mãe é a conduta inicial?

A proteína do leite de vaca ingerida pela mãe pode passar para o leite materno e desencadear a reação alérgica no lactente. A exclusão da PLV da dieta materna permite a manutenção do aleitamento materno, que é a melhor forma de alimentação para o bebê, enquanto trata a causa da alergia.

Quando considerar a suspensão do aleitamento materno em casos de APLV?

A suspensão do aleitamento materno é uma medida extrema e raramente necessária. É considerada apenas em casos de falha da dieta de exclusão materna rigorosa, ou quando há sintomas graves e persistentes que não respondem à exclusão, sendo então indicada uma fórmula extensamente hidrolisada ou de aminoácidos.

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