APLV: Proctocolite Alérgica em Lactentes Amamentados

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Lactente do sexo masculino, idade de 2meses, em avaliação na Unidade Básica de Saúde. A mãe relata que vem apresentando sangramento em fezes há 20 dias. Lactente apresenta duas evacuações ao dia, sem alterações da consistência, com laivos de sangue e com muco. Nega febre. Nega náuseas e vômitos. Criança saudável, em bom estado geral e bom ganho de peso. Boa aceitação de leite. Amamentação exclusiva por leite materno, desde o nascimento. Nascido de parto normal, 39 semanas, a termo, sem intercorrências. Mãe sem comorbidades. Vacinação atualizada. Ao exame físico, bom estado geral, hidratado, corado, acianótico, anictérico, afebril. Aparelhos cardiovascular, respiratórios e locomotor: sem alterações. Trato gastrointestinal: laivos de sangue em fralda, com fezes de baixa consistência; abdome globoso; indolor à palpação; ruídos hidroaéreos normais. A principal hipótese diagnóstica para este caso é:

Alternativas

  1. A) Alergia alimentar à proteína do leite de vaca, do tipo proctocolite alérgica
  2. B) Alergia alimentar à proteína do leite de vaca, do tipo enteropatia
  3. C) Doença de Crohn de início precoce
  4. D) Gastroenterite infecciosa

Pérola Clínica

Lactente amamentado, sangramento + muco fezes, bom estado geral = Proctocolite alérgica por APLV.

Resumo-Chave

A proctocolite alérgica por APLV é uma causa comum de sangramento e muco nas fezes em lactentes, mesmo em aleitamento materno exclusivo, devido à passagem de proteínas alergênicas do leite de vaca da dieta materna para o leite. O bom estado geral e ganho de peso são características que a diferenciam de outras condições.

Contexto Educacional

A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns na infância, afetando cerca de 2-3% dos lactentes. A proctocolite alérgica é uma forma não-IgE mediada de APLV, caracterizada por inflamação do cólon e reto. É particularmente relevante em lactentes em aleitamento materno exclusivo, onde proteínas do leite de vaca da dieta materna são transferidas para o leite e desencadeiam a reação no bebê. O quadro clínico típico da proctocolite alérgica inclui sangramento nas fezes (laivos de sangue, pontos ou fios), muco e, ocasionalmente, diarreia, sem comprometimento do estado geral ou do ganho de peso. A ausência de febre, vômitos e irritabilidade excessiva ajuda a diferenciá-la de outras causas de sangramento gastrointestinal, como gastroenterites infecciosas ou fissuras anais. O diagnóstico é estabelecido pela melhora dos sintomas após a exclusão de proteínas do leite de vaca da dieta materna (ou uso de fórmula extensamente hidrolisada/aminoácidos em fórmulas infantis) e a recorrência dos sintomas à reintrodução. O tratamento consiste na manutenção da dieta de exclusão, com acompanhamento nutricional para a mãe e o bebê. A maioria dos casos de proctocolite alérgica por APLV tem bom prognóstico e resolução espontânea até os 1-2 anos de idade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da proctocolite alérgica em lactentes?

Os sintomas incluem sangramento nas fezes (laivos de sangue, pontos ou fios), muco nas fezes, e, por vezes, diarreia. Geralmente, o lactente mantém bom estado geral, bom ganho de peso e não apresenta febre ou vômitos significativos.

Como é feito o diagnóstico da proctocolite alérgica por APLV em lactentes amamentados?

O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e na resposta à dieta de exclusão materna de proteínas do leite de vaca. A mãe deve eliminar todos os produtos lácteos e derivados de sua dieta por 2 a 4 semanas, observando a melhora dos sintomas do bebê.

Qual a diferença entre proctocolite alérgica e enteropatia alérgica por APLV?

A proctocolite alérgica afeta principalmente o cólon e reto, causando sangramento e muco nas fezes com bom estado geral. A enteropatia alérgica é mais grave, afetando o intestino delgado, com diarreia crônica, vômitos, má absorção e comprometimento do ganho de peso.

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