UFSM/HUSM - Hospital Universitário de Santa Maria (RS) — Prova 2017
Analise as afirmativas a seguir sobre o processo saúde-doença e a aplicação da Antropologia em Atenção Primária em Saúde:I – A compreensão da perspectiva da pessoa que busca atendimento médico e de seu contexto é elemento essencial na prática médica, e deve ser abordada através do entendimento dos sentimentos da pessoa em relação à doença, de suas ideias sobre o que está acontecendo com ela, da maneira em que a doença está afetando seu funcionamento e de suas expectativas em relação ao médico, à consulta e ao tratamento;II – Em Atenção Primária à Saúde, são comuns os diagnósticos de infecções, principalmente de infecções do trato respiratório; além de hipertensão, diabetes, depressão e ansiedade; e são incomuns os atendimentos por doenças como câncer;III – A multimorbidade, entendida como a ocorrência simultânea de várias condições médicas na mesma pessoa, não é levada em consideração nas diretrizes para a prática clínica, que geralmente se concentram em uma doença por vez e excluem participantes com multimorbidade, levantando dúvidas quanto à aplicabilidade dessas diretrizes na Atenção Primária em Saúde;IV – O comportamento com a experiência com a doença de um indivíduo determina se ele assumirá ou não o papel de doente e se procurará ou não um atendimento em saúde;V – Há diferenças entre os conceitos de disease e illness: ilness (ou doença) refere-se a sinais, sintomas e alterações em exames, enquanto disease (ou experiência da doença) refere-se ao sofrimento da pessoa, representado por queixas, problemas e disfunções.Estão corretas:
Compreender a perspectiva do paciente (illness) e a multimorbidade é essencial na APS; disease e illness são conceitos distintos.
A Atenção Primária exige uma abordagem holística, considerando a perspectiva do paciente (illness) e a multimorbidade, que muitas vezes não é contemplada nas diretrizes. A distinção entre disease (patologia objetiva) e illness (experiência subjetiva) é fundamental para um cuidado integral.
O processo saúde-doença é um fenômeno complexo, e a Antropologia Médica oferece lentes valiosas para sua compreensão, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS). A prática médica eficaz na APS transcende a mera identificação de patologias, exigindo uma profunda compreensão da perspectiva do paciente – seus sentimentos, ideias sobre a doença, o impacto em sua vida e suas expectativas em relação ao cuidado. Essa abordagem centrada na pessoa é um pilar da APS. Na APS, o perfil epidemiológico é marcado pela alta prevalência de condições crônicas como hipertensão, diabetes, depressão e ansiedade, além de infecções comuns. A multimorbidade, definida como a presença simultânea de várias condições médicas, é uma realidade frequente. As diretrizes clínicas, muitas vezes focadas em doenças isoladas e desenvolvidas em populações homogêneas, podem ter aplicabilidade limitada em pacientes com multimorbidade, exigindo do profissional da APS uma capacidade de adaptação e individualização do plano terapêutico. É crucial distinguir entre 'disease' e 'illness'. 'Disease' refere-se à doença em sua dimensão biológica e objetiva (sinais, sintomas, alterações laboratoriais), enquanto 'illness' abrange a experiência subjetiva do adoecimento, o sofrimento, as queixas e o impacto na vida do indivíduo. A maneira como uma pessoa vivencia sua doença e a interpreta culturalmente influencia diretamente sua busca por atendimento e sua adesão ao tratamento. A compreensão desses conceitos e a aplicação da antropologia na APS capacitam o residente a oferecer um cuidado mais integral e eficaz, reconhecendo a intersecção entre biologia, psicologia e contexto social.
A compreensão da perspectiva do paciente é essencial na APS porque a doença não é apenas um fenômeno biológico, mas também uma experiência subjetiva. Entender os sentimentos, ideias, impacto no funcionamento e expectativas do paciente permite uma abordagem mais humanizada, melhora a adesão ao tratamento e fortalece o vínculo médico-paciente.
A multimorbidade, a coexistência de múltiplas condições médicas, é a regra e não a exceção na APS. Ela desafia as diretrizes clínicas que geralmente focam em uma doença por vez e excluem pacientes com comorbidades, tornando-as menos aplicáveis. O manejo da multimorbidade exige uma abordagem integrada, priorização e coordenação do cuidado.
'Disease' refere-se à doença em sua dimensão biomédica, ou seja, a patologia objetiva, os sinais, sintomas e alterações fisiopatológicas ou em exames. Já 'illness' (ou experiência da doença) diz respeito ao sofrimento subjetivo da pessoa, suas queixas, problemas, disfunções e o impacto da doença em sua vida e bem-estar, sendo um conceito mais amplo e culturalmente influenciado.
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