Hanseníase: Diagnóstico Clínico e Papel do Anti-PGL-1

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 45 anos, procedente do norte do país, procura atendimento devido a uma lesão em antebraço direito. Ao exame é encontrada mais uma lesão, próxima a primeira, sendo hipocrômicas, margens bem definidas, com bordas elevadas, indolor. Nota-se também a presença de espessamento em filetes nervosos perto das lesões. De acordo com o diagnóstico:

Alternativas

  1. A) Pode-se encontrar hipersensibilidade dolorosa ao redor da lesão.
  2. B) A baciloscopia apresenta elevado índice baciloscópico.
  3. C) A detecção de anticorpos anti PGL-1 não confirma o diagnóstico.
  4. D) O exame bacteriológico é feito com linfa obtida do centro da lesão.

Pérola Clínica

O diagnóstico de hanseníase é clínico; sorologia anti-PGL-1 negativa não exclui a doença.

Resumo-Chave

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica que afeta pele e nervos periféricos. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado em lesões cutâneas com alteração de sensibilidade e comprometimento neural.

Contexto Educacional

A hanseníase apresenta um espectro clínico que depende da resposta imune celular do hospedeiro ao Mycobacterium leprae. No polo tuberculoide (paucibacilar), há uma resposta imune celular vigorosa que limita a proliferação bacilar, resultando em poucas lesões bem delimitadas e baciloscopia negativa. No polo virchowiano (multibacilar), a imunidade celular é deficiente, permitindo a disseminação sistêmica dos bacilos. O espessamento de troncos nervosos (ulnar, tibial posterior, fibular comum) é uma característica marcante e pode levar a incapacidades físicas se não tratado precocemente. O tratamento é feito com poliquimioterapia (PQT), utilizando rifampicina, dapsona e clofazimina, com duração variando entre 6 e 12 meses conforme a classificação operacional.

Perguntas Frequentes

Qual a utilidade do anticorpo anti-PGL-1 na hanseníase?

O anticorpo anti-PGL-1 (glicolipídeo fenólico-1) é um marcador de carga bacilar. Ele é frequentemente positivo em formas multibacilares (virchowiana), mas possui baixa sensibilidade em formas paucibacilares (tuberculoide). Portanto, sua detecção não confirma o diagnóstico isoladamente, nem sua ausência o exclui. Ele é mais útil para classificação operacional, monitoramento de contatos e avaliação de risco de recidiva.

Como deve ser realizada a baciloscopia na hanseníase?

A baciloscopia é realizada através do esfregaço intradérmico (linfa) coletado de sítios específicos: lobos auriculares, cotovelos e, se houver, de lesões cutâneas suspeitas. É um exame de alta especificidade, mas baixa sensibilidade (negativo em formas paucibacilares). Um resultado positivo confirma o diagnóstico e classifica o paciente como multibacilar, mas um resultado negativo não afasta a doença.

Quais são os sinais cardinais para o diagnóstico de hanseníase?

De acordo com a OMS e o Ministério da Saúde, o diagnóstico é fechado com a presença de pelo menos um dos seguintes sinais: 1. Lesão(ões) de pele com alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa ou tátil); 2. Espessamento de nervo periférico associado a alterações sensitivas ou motoras; 3. Baciloscopia positiva para M. leprae. A presença de dor ou hipersensibilidade no trajeto nervoso indica neurite ativa.

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