Procalcitonina na Sepse: Guia para Suspensão de ATB

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2022

Enunciado

S.R.A, 70 anos, portador de hipertensão arterial e fibrilação atrial, em uso de losartana 50mg/dia, atenolol 50mg/dia e rivaroxabana 20mg/dia. Chega ao hospital com dispneia, febre, tosse produtiva, icterícia, confusão mental e prostração com 5 dias de evolução. PA = 100/60mmHg, FC = 65bpm, FR = 30 irpm, SpO2 = 90%. Com relação ao quadro clínico apresentado, marque a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O paciente apresenta diagnóstico de choque séptico e por isso deve receber ressuscitação volêmica com ringer lactato, pelo menor risco de acidose hiperclorêmica.
  2. B) A avaliação da variação da pressão de pulso poderá auxiliar na predição de resposta à ressuscitação volêmica neste paciente, portanto devendo ser realizada cateterização arterial.
  3. C) O uso da procalcitonina em associação à avaliação clínica poderá auxiliar no momento correto para a suspensão do uso de antimicrobianos, evitando o uso prolongado desnecessário.
  4. D) A administração de antibióticos não deverá ser retardada, porém de acordo com as recomendações mais recentes para o tratamento de sepse, poderá ser iniciada nas primeiras 6 horas.

Pérola Clínica

Sepse grave/choque séptico → Procalcitonina guia descalonamento ATB, evitando uso prolongado.

Resumo-Chave

A procalcitonina é um biomarcador útil para auxiliar na decisão de suspender antibióticos em pacientes com sepse, especialmente em casos de infecções respiratórias. Seu uso pode reduzir a exposição a antimicrobianos, diminuindo a resistência e os efeitos adversos.

Contexto Educacional

A sepse e o choque séptico representam emergências médicas com alta morbimortalidade, sendo cruciais o reconhecimento precoce e o manejo adequado. A sepse é uma disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção, enquanto o choque séptico é um subconjunto da sepse com disfunções circulatórias e metabólicas profundas. A incidência de sepse é elevada, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades, e seu diagnóstico e tratamento precoce são pilares para a melhora do prognóstico. A fisiopatologia da sepse envolve uma complexa interação entre o patógeno e a resposta imune do hospedeiro, levando a inflamação sistêmica, disfunção endotelial e microcirculatória, culminando em disfunção orgânica. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios como o SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) ou qSOFA (quick SOFA). Biomarcadores como a procalcitonina podem auxiliar na avaliação da etiologia bacteriana e, principalmente, no monitoramento da resposta ao tratamento e na decisão de desescalonamento ou suspensão da antibioticoterapia. O tratamento da sepse e do choque séptico inclui ressuscitação volêmica com cristaloides, antibioticoterapia empírica de amplo espectro iniciada nas primeiras horas, vasopressores para manter a pressão arterial média e controle da fonte de infecção. A procalcitonina tem se mostrado uma ferramenta valiosa para guiar a duração da antibioticoterapia, permitindo a suspensão segura em pacientes com melhora clínica e queda dos níveis do biomarcador, contribuindo para a redução da resistência antimicrobiana e dos efeitos adversos relacionados ao uso prolongado de antibióticos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos de sepse e choque séptico?

Sepse é definida por disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Choque séptico é um subconjunto da sepse com disfunções circulatórias e metabólicas profundas, caracterizado por hipotensão persistente necessitando de vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada.

Como a procalcitonina auxilia no manejo da sepse?

A procalcitonina é um biomarcador que se eleva em infecções bacterianas e sepse. Níveis decrescentes podem indicar resolução da infecção e auxiliar na decisão de desescalonar ou suspender antibióticos, especialmente em infecções do trato respiratório inferior, reduzindo o tempo de exposição.

Quais as recomendações atuais para a ressuscitação volêmica no choque séptico?

A ressuscitação volêmica inicial no choque séptico deve ser feita com cristaloides (30 mL/kg nas primeiras 3 horas) em pacientes hipotensos ou com lactato elevado. A avaliação da responsividade a fluidos, como a variação da pressão de pulso em pacientes ventilados, é crucial para evitar sobrecarga hídrica.

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