UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Uma mulher de 25 anos e o irmão de 64 anos comparecem na UBS com Teste Ergométrico (TE) com sinais de isquemia induzida por esforço. Eles relatam recente morte do pai por doença coronariana aos 84 anos. A mulher nega sintomas cardiovasculares e informa que o exame foi solicitado porque ela desejava realizar atividade física. O irmão, que é diabético, hipertenso e tabagista, relata que vinha sentindo dor precordial retroesternal em aperto, que piorava com atividade física intensa e melhorava rapidamente quando reduzia o esforço. Diante dessa situação, o médico solicita uma cintilografia miocárdica com TE para ambos. Como o paciente usava betabloqueador e anlodipina em baixas doses, o médico pediu a suspensão das medicações três dias antes de realizar o exame. Após o exame complementar da mulher ter revelado isquemia, a paciente foi submetida a uma cineangiocoronariografia que mostrou única lesão de 10% no ramo diagonal da descendente anterior. Em relação a essa conduta e ao laudo, é correto afirmar que o último exame foi:
Baixa probabilidade pré-teste + exame positivo = alta chance de falso-positivo.
Em pacientes jovens e assintomáticos, a probabilidade pré-teste de DAC é muito baixa. Exames de triagem como o teste ergométrico frequentemente geram resultados falso-positivos, levando a procedimentos invasivos desnecessários.
A avaliação da Doença Arterial Coronariana (DAC) deve sempre começar pela estratificação de risco clínico e cálculo da probabilidade pré-teste. O uso indiscriminado de testes ergométricos em pacientes de baixo risco viola os princípios do Teorema de Bayes, onde a probabilidade pós-teste de doença permanece baixa mesmo com um resultado positivo. Isso resulta em ansiedade para o paciente e custos elevados para o sistema de saúde.\n\nNo caso clínico apresentado, a paciente não apresentava sintomas e o histórico familiar não era de DAC precoce (que seria <55 anos para homens e <65 anos para mulheres). A realização de cineangiocoronariografia após exames não invasivos positivos em pacientes de baixo risco frequentemente revela artérias normais ou lesões irrelevantes, confirmando a inadequação da propedêutica inicial.
O teste ergométrico foi mal solicitado porque a paciente era jovem (25 anos), assintomática e sem fatores de risco significativos (o pai faleceu aos 84 anos, o que não caracteriza história familiar precoce). Segundo o Teorema de Bayes, em populações com baixa probabilidade pré-teste, a maioria dos resultados positivos será falso-positivo. Exames de rastreamento para DAC em indivíduos assintomáticos de baixo risco não são recomendados pelas diretrizes, pois levam a uma cascata de exames invasivos desnecessários, como a cineangiocoronariografia.
Clinicamente, considera-se uma lesão coronariana como obstrutiva ou significativa quando há uma redução do lúmen superior a 50% em tronco de coronária esquerda ou superior a 70% nas demais artérias epicárdicas. No caso da paciente, a lesão de 10% é considerada uma placa aterosclerótica não obstrutiva, que não justifica isquemia miocárdica e reforça que o teste ergométrico e a cintilografia foram falso-positivos.
A probabilidade pré-teste é avaliada com base na idade, sexo e características da dor torácica (típica, atípica ou não anginosa). Pacientes jovens do sexo feminino com dor não anginosa ou assintomáticas têm probabilidade muito baixa (<5%). Nesses casos, a realização de testes provocativos de isquemia tem baixo valor preditivo positivo e não deve ser realizada rotineiramente para 'check-up' antes de atividade física, a menos que haja outros fatores de risco muito específicos.
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