Trauma Cranioencefálico: Prioridades de Manejo no ATLS

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2019

Enunciado

J.S.F., 38 anos, sexo masculino, vítima de acidente motociclístico, sem capacete, chega ao Pronto Socorro com sangramento em couro cabeludo, afundamento de crânio, com Glasgow 9, Sat O2 70% máscara com dispositivo de válvula, dispneia intensa, hipertimpanismo à esquerda e turgência jugular. Ao avaliar este paciente você se utiliza do protocolo de atendimento do ATLS (Advanced Trauma Life Support), estabelecendo via aérea definitiva e drenando o pneumotórax à esquerda. Quanto aos cuidados com o paciente, agora sob ventilação mecânica, assinale afirmativa CORRETA de acordo com o caso clínico.

Alternativas

  1. A) Paciente instável hemodinamicamente, com diagnóstico tomográfico de Hematoma Epidural, tem como prioridade o tratamento cirúrgico na emergência, antes de qualquer abordagem cirúrgica abdominal ou ortopédica.
  2. B) O hematoma subdural diagnosticado neste paciente, só pode ser abordado após descartadas outras causas prioritárias que levariam ele a óbito antes da piora do quadro neurológico.
  3. C) Não há uma ordem ou protocolo a se seguir em um caso de afundamento de crânio, sendo o tratamento deste a prioridade do tratamento de urgência.
  4. D) E escala de coma de Glasgow do paciente é 9, corrobora a hipótese de que muito provavelmente a causa neurológica é o pior agravo deste trauma.
  5. E) Paciente com lesão encefálica traumática grave, deve se manter com pressão arterial sistólica inferior a 90mmHg para melhor prognóstico.

Pérola Clínica

No trauma grave, priorizar causas de óbito iminente (ABCDE do ATLS) antes da neurocirurgia, mesmo com lesão cerebral.

Resumo-Chave

O ATLS enfatiza a abordagem sequencial das lesões com risco de vida imediato (via aérea, respiração, circulação) antes de focar em lesões neurológicas ou ortopédicas, mesmo que graves. Um paciente com Glasgow 9 e sinais de pneumotórax hipertensivo tem prioridades respiratórias e circulatórias que precedem a abordagem cirúrgica de um hematoma subdural.

Contexto Educacional

O atendimento ao paciente traumatizado grave segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), que estabelece uma abordagem sistemática e hierárquica para identificar e tratar lesões com risco de vida. A prioridade é sempre a estabilização das funções vitais, seguindo a sequência ABCDE: Via Aérea com controle da coluna cervical, Respiração e ventilação, Circulação com controle de hemorragias, Avaliação Neurológica (D) e Exposição/Controle Ambiental. Esta metodologia visa maximizar a sobrevida e minimizar a morbidade. No contexto de um paciente com trauma cranioencefálico (TCE) e outras lesões, como pneumotórax hipertensivo, é crucial entender que as condições que ameaçam a vida imediatamente (ex: obstrução de via aérea, pneumotórax hipertensivo, choque hipovolêmico) devem ser tratadas antes das lesões neurológicas, mesmo que estas sejam graves. Um hematoma subdural, embora necessite de intervenção, não é a prioridade se o paciente estiver em choque obstrutivo ou hipoxêmico devido a um pneumotórax não tratado. A estabilização hemodinâmica e respiratória precede a abordagem neurocirúrgica definitiva. A escala de coma de Glasgow (ECG) é fundamental para avaliar o nível de consciência e a gravidade do TCE, mas sua avaliação (parte do "D" do ATLS) só é completa após a estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. Manter a pressão arterial sistólica acima de 90 mmHg e a oxigenação adequada são metas cruciais para evitar lesões cerebrais secundárias em pacientes com TCE grave, refutando a ideia de hipotensão permissiva nesse cenário.

Perguntas Frequentes

Quais são as prioridades iniciais no atendimento de um trauma grave?

As prioridades iniciais seguem o protocolo ABCDE do ATLS: Via Aérea (A), Respiração (B), Circulação (C), Incapacidade Neurológica (D) e Exposição/Controle Ambiental (E). Lesões que comprometem A, B ou C têm precedência.

Por que um hematoma subdural pode não ser a primeira prioridade cirúrgica no trauma?

Embora grave, o hematoma subdural pode ser secundário a condições mais imediatamente fatais, como pneumotórax hipertensivo ou choque hemorrágico, que devem ser abordadas primeiro para estabilizar o paciente antes da neurocirurgia.

Como o Glasgow 9 se relaciona com as prioridades do ATLS?

Um Glasgow 9 indica TCE moderado a grave, mas a avaliação neurológica (D) vem após a estabilização da via aérea, respiração e circulação (ABC). Se houver comprometimento do ABC, estas são as prioridades, mesmo com um Glasgow baixo.

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