UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2017
Um homem de 53 anos comparece a consulta com seu médico de família explicitando o seguinte motivo de consulta: “Doutor, gostaria de fazer um check-up, pois sinto muitas dores nas costas. Também preciso fazer um exame de vista”. Seu médico durante a entrevista identifica que ele é tabagista, hipertenso e que está acima do peso. Qual das alternativas relaciona corretamente a situação descrita com os princípios da Medicina de Família e Comunidade?
MFC: priorizar demandas com o paciente e programar seguimento para outras necessidades.
Na Medicina de Família e Comunidade, a abordagem centrada na pessoa envolve a discussão e priorização conjunta das necessidades de saúde com o paciente, reconhecendo que nem todas as demandas podem ser resolvidas em uma única consulta e que o planejamento de seguimento é essencial.
A Medicina de Família e Comunidade (MFC) é uma especialidade que se baseia em princípios fundamentais para oferecer um cuidado integral e contínuo. A abordagem centrada na pessoa é um pilar, reconhecendo que o paciente é um indivíduo com múltiplas dimensões (biológica, psicológica, social) e não apenas um conjunto de doenças. A longitudinalidade, integralidade, coordenação do cuidado e orientação familiar e comunitária são outros princípios essenciais. No cenário descrito, o paciente apresenta múltiplas demandas: check-up, dor nas costas, exame de vista, além de condições crônicas como tabagismo, hipertensão e sobrepeso. A MFC não exige que todas as demandas sejam resolvidas em um único encontro. Pelo contrário, a gestão eficaz de múltiplas queixas envolve a negociação e priorização conjunta com o paciente. A alternativa correta reflete a prática da MFC, onde o médico e o paciente, em um processo de decisão compartilhada, elegem as necessidades de saúde mais urgentes ou importantes para aquele momento, e planejam o manejo das demais em consultas subsequentes. Isso fortalece o vínculo, otimiza o tempo da consulta e garante um cuidado mais efetivo e sustentável ao longo do tempo.
A abordagem centrada na pessoa significa que o médico considera não apenas a doença, mas também as experiências, expectativas e contexto de vida do paciente, envolvendo-o ativamente nas decisões sobre seu cuidado.
O médico de família, em conjunto com o paciente, deve eleger as prioridades para a consulta atual, abordando as mais urgentes ou as que o paciente considera mais importantes, e planejar o manejo das demais em encontros futuros.
A longitudinalidade permite que o médico e o paciente desenvolvam um vínculo de confiança ao longo do tempo, facilitando a compreensão do histórico de saúde, o manejo de condições crônicas e a prevenção de doenças, além de otimizar a coordenação do cuidado.
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