UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2017
Durante o mês de campanha do "Outubro Rosa", João (24 anos), procurou a Unidade Básica de Saúde da Família para ter orientações sobre a prevenção de câncer de mama, uma vez que sua namorada tinha informado que ele precisaria realizar tal exame, mesmo sendo um homem transexual. A respeito do relacionamento de João e sua namorada, marque a assertiva correta: O reconhecimento da identidade de gênero e da orientação afetivo-sexual de João, exemplificaria quais dos princípios/diretrizes do SUS:
Respeito à identidade de gênero = Equidade + Integralidade + Universalidade no SUS.
O atendimento humanizado à população trans reflete a aplicação prática dos princípios doutrinários do SUS, garantindo acesso justo e visão holística.
A questão aborda os princípios doutrinários do Sistema Único de Saúde (SUS) aplicados a um cenário de diversidade de gênero. A Universalidade garante que João, como cidadão, tenha acesso à Unidade Básica de Saúde. A Integralidade exige que a equipe de saúde compreenda João em sua totalidade, incluindo as especificidades biológicas (risco de câncer de mama em homens trans que não realizaram mastectomia total ou que possuem tecido residual) e psicossociais. A Equidade é o ponto central: tratar de forma diferenciada para alcançar a justiça. Homens trans enfrentam estigmas que dificultam a procura por exames ginecológicos ou de mama; logo, o acolhimento que respeita a identidade de gênero é uma ferramenta de equidade para garantir que esse paciente não seja excluído das políticas de prevenção. A alternativa correta (C) sintetiza esses pilares como a base para um atendimento ético e legal dentro das diretrizes do SUS.
A Equidade é um princípio que reconhece as desigualdades sociais e de saúde, buscando oferecer mais a quem mais precisa. No atendimento a um homem transexual, a equidade se manifesta ao reconhecer suas vulnerabilidades específicas e garantir que ele receba orientações de prevenção (como o câncer de mama, se houver tecido mamário) de forma respeitosa e adaptada à sua realidade, reduzindo barreiras de acesso que historicamente afastam essa população dos serviços de saúde.
A Integralidade pressupõe que o indivíduo seja visto como um todo, considerando suas necessidades físicas, psicológicas e sociais, além da articulação de ações de promoção, prevenção e cura. Para João, a integralidade significa que o sistema de saúde deve cuidar não apenas da sua demanda imediata (prevenção de câncer), mas também respeitar sua identidade de gênero, sua saúde mental e seu contexto afetivo-sexual, integrando o cuidado preventivo ao seu processo de afirmação de gênero.
A Universalidade garante que todo e qualquer cidadão brasileiro tenha direito ao acesso aos serviços de saúde do SUS, sem discriminação. Já a Equidade ajusta esse acesso para que as necessidades específicas de grupos minoritários ou vulneráveis sejam atendidas. Enquanto a Universalidade diz 'todos podem entrar', a Equidade diz 'vamos garantir que você consiga entrar e ser atendido conforme sua necessidade específica'.
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