FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Paciante masculino, 56 anos, comparece na UBS, com queixa de dor torácica, tosse, rouquidão e emagrecimento de 5 kg no último mês. Refere que há 15 anos trabalhou na manutenção de tubulações de caldeiras na indústria de açúcar e álcool e que, atualmente há 1 mês, trabalha como forneiro em uma indústria que fabricação de pisos, azulejos e vasos sanitários. Após anamnese e exame clínico, o médico solicitou Raio-X de tórax, receitou dexametasona xarope 70 mg/dia, polivitamínico e orientou dieta hipercalórica. Marcou retorno em 90 dias, quando o exame ficará pronto. Baseado nesta história, responda: Qual o princípio da Atenção Primária que o médico não levou em conta? Que nível de prevenção ele não levou em conta? Qual deveria ser sua hipótese diagnóstica, levando-se em conta a história ocupacional do paciente?
Dor torácica, tosse, rouquidão, emagrecimento + histórico amianto = suspeitar Mesotelioma → Coordenação do Cuidado e Prevenção Quaternária negligenciadas.
O caso ilustra falhas na Atenção Primária, especialmente na Coordenação do Cuidado, ao não investigar adequadamente a história ocupacional e não encaminhar o paciente. A Prevenção Quaternária foi negligenciada ao prescrever tratamento sintomático sem diagnóstico, expondo o paciente a iatrogenia e exames desnecessários. A hipótese diagnóstica mais provável, dada a exposição ao amianto, é o mesotelioma de pleura.
A Atenção Primária à Saúde (APS) é o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema de saúde, e seus princípios fundamentais incluem acesso de primeiro contato, longitudinalidade, integralidade e coordenação do cuidado. A falha em qualquer um desses princípios pode comprometer a qualidade da assistência. No caso apresentado, a negligência na Coordenação do Cuidado é evidente, pois o médico não articulou a rede de atenção, não investigou a fundo a história ocupacional e não encaminhou o paciente para uma avaliação especializada, apesar dos sinais de alerta. Os níveis de prevenção em saúde são cruciais para a prática médica. Enquanto a prevenção primária evita a doença, a secundária busca o diagnóstico precoce e tratamento, e a terciária visa a reabilitação. A Prevenção Quaternária, muitas vezes subestimada, foca em proteger os pacientes de intervenções médicas excessivas, desnecessárias ou prejudiciais (iatrogenia). A prescrição de dexametasona e polivitamínico sem um diagnóstico claro, e o atraso na investigação, representam uma falha na Prevenção Quaternária, expondo o paciente a riscos e atrasando o tratamento adequado. A história ocupacional é um pilar fundamental na anamnese, especialmente em casos de sintomas respiratórios e sistêmicos. A exposição ao amianto (asbesto) é um fator de risco bem estabelecido para o mesotelioma de pleura, uma neoplasia maligna agressiva com longo período de latência. Os sintomas do paciente, como dor torácica, tosse, rouquidão e emagrecimento, são compatíveis com esta doença. A silicose, embora também seja uma doença ocupacional pulmonar, está associada à exposição à sílica, presente em indústrias de cerâmica e mineração, mas o histórico de caldeiras aponta mais fortemente para o amianto. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são essenciais para o prognóstico dessas condições.
O princípio da Coordenação do Cuidado foi negligenciado. O médico não articulou a rede de atenção à saúde, não investigou a fundo a história ocupacional do paciente e não o encaminhou para avaliação especializada, optando por um tratamento sintomático sem diagnóstico definitivo.
A Prevenção Quaternária visa proteger os indivíduos de intervenções médicas excessivas ou desnecessárias que possam causar danos. No caso, a prescrição de dexametasona e polivitamínico sem um diagnóstico claro, e o atraso na investigação diagnóstica, expõem o paciente a riscos de iatrogenia e medicalização inadequada, falhando neste nível de prevenção.
O mesotelioma de pleura é fortemente associado à exposição ao amianto (asbesto), mesmo após longos períodos de latência. O paciente trabalhou na manutenção de tubulações de caldeiras, um ambiente comum para exposição a este material. Os sintomas apresentados (dor torácica, tosse, emagrecimento, rouquidão) são compatíveis com a doença, tornando-a a principal suspeita.
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