Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2022
Primigesta, 39 semanas, em trabalho de parto. Foi elaborado o seguinte partograma (seta=analgesia). É correto afirmar que, nesse momento, deve-se:
Partograma com parada de progressão (dilatação ou descida) após analgesia e tempo adequado → indicar cesárea.
O partograma é uma ferramenta essencial para monitorar a evolução do trabalho de parto. Uma indicação de cesárea baseada no partograma geralmente ocorre por distocia de progressão, como parada de dilatação (cérvix não dilata por 2h na fase ativa com contrações adequadas) ou parada de descida (após 1h de puxos na fase expulsiva sem descida), especialmente em primigestas e após analgesia.
O partograma é uma representação gráfica da evolução do trabalho de parto, essencial para o monitoramento da dilatação cervical e da descida da apresentação fetal ao longo do tempo. Ele permite identificar precocemente desvios da normalidade, conhecidos como distocias de progressão, que podem indicar a necessidade de intervenção, como a cesárea. A correta interpretação do partograma é uma habilidade fundamental para residentes de Ginecologia e Obstetrícia. A indicação de cesárea por distocia de progressão é uma das causas mais comuns de parto cirúrgico. Ela pode ser diagnosticada como parada de dilatação, quando o colo uterino não progride na dilatação por um período específico na fase ativa, ou como parada de descida, quando a apresentação fetal não desce no canal de parto durante a fase expulsiva. Fatores como a paridade (primigesta versus multípara) e o uso de analgesia peridural influenciam os tempos considerados para o diagnóstico dessas paradas. Antes de indicar uma cesárea, medidas como a amniotomia (se as membranas estiverem íntegras) e a otimização das contrações uterinas com ocitocina podem ser tentadas para corrigir a distocia. No entanto, se o trabalho de parto não progredir apesar dessas intervenções, a cesárea torna-se a conduta mais segura para a mãe e o feto, evitando complicações como sofrimento fetal ou infecção. O partograma, com seus alertas e linhas de ação, guia o profissional na tomada de decisão oportuna.
Uma parada de dilatação é definida como a ausência de mudança cervical por pelo menos 2 horas na fase ativa do trabalho de parto (dilatação ≥ 6 cm) com contrações uterinas adequadas (≥ 200 unidades de Montevideo) ou por 4 horas com contrações inadequadas, apesar da ocitocina.
A parada de descida ocorre quando não há progressão da apresentação fetal por pelo menos 1 hora na fase expulsiva em multíparas, ou 2 horas em primíparas, com puxos maternos eficazes e contrações uterinas adequadas, ou 3 horas em primíparas com analgesia.
A ocitocina é usada para aumentar a frequência e intensidade das contrações uterinas em casos de hipoatividade. A amniotomia (ruptura artificial das membranas) pode acelerar o trabalho de parto, especialmente se as membranas estiverem íntegras, e permite a avaliação da cor do líquido amniótico. Ambas são medidas para tentar corrigir a distocia antes de indicar a cesárea.
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