SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020
Paciente, 38 anos, primigesta, 40 semanas gestacionais, é internada em trabalho de parto. IMC: 27, PA: 120X80mmHg, FC: 92 bpm, T: 36,3°C, corada e hidratada. Dinâmica uterina de 3 contrações de 40 segundos em 10 minutos, altura uterina: 38cm, BCF: 140bpm em quadrante inferior direito, apresentação cefálica e bolsa integra. Feito abertura do Partograma que evidenciou a seguinte evolução: Diante do quadro descrito, indique a variedade de posição fetal na última hora avaliada.
Variedade de posição = relação entre o ponto de referência fetal e os pontos de referência da bacia materna.
O partograma é a representação gráfica do trabalho de parto, permitindo diagnosticar distocias e identificar a variedade de posição através do toque vaginal, essencial para prever a evolução do período expulsivo.
O estudo da estática fetal e do partograma é um pilar da obstetrícia moderna, sendo tema recorrente em provas de residência. A compreensão de como o feto se posiciona (atitude, situação, apresentação e posição) permite ao clínico antecipar dificuldades mecânicas. O partograma, preconizado pela OMS, não apenas monitora a evolução biológica, mas serve como documento legal da assistência prestada. Na prática clínica, a identificação da variedade de posição exige habilidade no toque vaginal para localizar a fontanela posterior (lambda) e a fontanela anterior (bregma). A posição occipito-anterior é a mais comum e fisiológica para o nascimento. Desvios desse padrão, como as posições persistentes em occipito-posterior, podem prolongar significativamente a fase ativa e o período expulsivo, aumentando o risco de exaustão materna e sofrimento fetal.
A variedade de posição é definida pela relação entre o ponto de referência da apresentação fetal (como o occipital na apresentação cefálica fletida) e os pontos de referência da bacia materna (púbis, sacro, eminências iliopúbicas e articulações sacroilíacas). No toque vaginal, o médico identifica as suturas e fontanelas para determinar se o feto está em posição occipito-esquerda-anterior (OEA), occipito-direita-posterior (ODP), entre outras. Essa classificação é fundamental para entender a mecânica do parto e a necessidade de rotações internas durante a descida pelo canal de parto.
O partograma é uma ferramenta visual que registra a dilatação cervical e a descida da apresentação em relação ao tempo. Ao traçar as linhas de alerta e de ação, o obstetra pode identificar precocemente padrões anormais, como o parto prolongado, a parada secundária da dilatação ou a parada secundária da descida. Além da dilatação, o registro da variedade de posição no partograma permite identificar falhas na rotação interna, que podem sugerir desproporção cefalopélvica ou necessidade de intervenções como o uso de fórceps ou indicação de cesariana.
As variedades de posição mais frequentes no início do trabalho de parto são as transversas (como a occipito-esquerda-transversa - OET) e as anteriores (como a occipito-esquerda-anterior - OEA). A bacia materna costuma ter o maior diâmetro no sentido transverso na entrada (estreito superior), o que favorece o encaixe nessas posições. Durante a progressão, o feto realiza uma rotação interna para que o occipital se posicione sob a sínfise púbica (occipito-púbica - OP), que é a posição mais favorável para o desprendimento cefálico no estreito inferior.
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