Partograma e Período Expulsivo: Condutas no Parto

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Primigesta, 32 anos, 41 semanas de gestação de risco habitual. Interna na fase ativa da dilatação para assistência ao parto. Na admissão apresentava sinais vitais e exame físico geral normal, altura uterina=38 cm, vitalidade fetal normal. A evolução gráfica de seu trabalho de parto está representada abaixo (Figura). Qual é a conduta para após a avaliação das 20h?

Alternativas

  1. A) Aguardar mais uma hora de período expulsivo.
  2. B) Realizar parto instrumentalizado.
  3. C) Realizar amniotomia artificial.
  4. D) Estimular a paciente a realizar puxos dirigidos.

Pérola Clínica

Período expulsivo primigesta: até 3h com analgesia, 2h sem. Aguardar progressão antes de intervir.

Resumo-Chave

Em primigestas, o período expulsivo pode ser mais prolongado. É fundamental monitorar a progressão no partograma e respeitar os limites de tempo antes de considerar intervenções. A conduta de aguardar mais uma hora indica que a paciente ainda está dentro de um limite aceitável ou que a progressão, embora lenta, não justifica uma intervenção imediata, como o parto instrumentalizado, que tem suas próprias indicações e riscos.

Contexto Educacional

O trabalho de parto é um processo fisiológico complexo que requer monitoramento cuidadoso para garantir a segurança da mãe e do bebê. O partograma é uma ferramenta gráfica padronizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que permite registrar a evolução do trabalho de parto, incluindo dilatação cervical, descida da apresentação fetal, contrações uterinas e condições maternas e fetais. Sua correta interpretação é fundamental para identificar distocias e guiar a conduta clínica. O período expulsivo, que se inicia com a dilatação cervical completa e termina com o nascimento do bebê, é uma fase crítica. Em primigestas, a duração desse período pode ser mais longa do que em multíparas. É importante respeitar os limites fisiológicos de tempo (até 3 horas com analgesia e 2 horas sem analgesia) antes de considerar intervenções. A paciência e a observação ativa são condutas essenciais, desde que não haja sinais de sofrimento fetal ou materno. Residentes em Ginecologia e Obstetrícia devem dominar a interpretação do partograma e as indicações para intervenções, como amniotomia, ocitocina, parto instrumentalizado ou cesariana. A decisão de intervir deve ser baseada em evidências e na avaliação individual de cada caso, evitando intervenções desnecessárias que podem aumentar os riscos. A assistência humanizada ao parto e o manejo adequado das distocias são competências cruciais para a formação do especialista.

Perguntas Frequentes

Qual a duração máxima esperada para o período expulsivo em uma primigesta?

Em uma primigesta, o período expulsivo pode durar até 3 horas se a paciente estiver sob analgesia peridural e até 2 horas se não houver analgesia. Esses limites são cruciais para a tomada de decisão clínica.

Quando se deve considerar o parto instrumentalizado no período expulsivo?

O parto instrumentalizado (fórceps ou vácuo-extrator) é considerado quando há falha na progressão do período expulsivo após os limites de tempo estabelecidos, suspeita de sofrimento fetal, ou exaustão materna, sempre após avaliação cuidadosa e condições favoráveis.

Qual a importância do partograma na condução do trabalho de parto?

O partograma é uma ferramenta gráfica essencial para monitorar a progressão do trabalho de parto, identificando precocemente desvios da normalidade (distocias) e auxiliando na tomada de decisões sobre a conduta, como a necessidade de intervenção ou a simples observação.

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