USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Primigesta, 17 anos, 31 semanas de gestação, comparece no Centro Obstétrico trazida por familiar que referiu ter encontrado a paciente apresentando crise convulsiva tônico-clônica generalizada. No momento a paciente responde a comandos de maneira lenta, mas coerente. Nega contrações e perdas vaginais. Refere boa movimentação fetal. Fez pré-natal em UBS, sem intercorrências até o momento. Exame físico geral: BEG, sonolenta, corada, afebril, pressão arterial de 150x110mmHg, frequência cardíaca de 100bpm. Exame físico obstétrico: dinâmica uterina ausente, batimento cardíaco fetal de 144 bpm, com movimentação fetal. Além de solicitar os exames laboratoriais de comprometimento sistêmico, qual prescrição você faria à paciente?
Crise convulsiva em gestante hipertensa (eclâmpsia) → Sulfato de Magnésio EV para controle e profilaxia de novas crises.
A paciente apresenta um quadro clássico de eclâmpsia (crise convulsiva tônico-clônica generalizada em gestante com hipertensão arterial). O sulfato de magnésio endovenoso é a droga de escolha para o tratamento e profilaxia de novas crises convulsivas na eclâmpsia.
A eclâmpsia é uma das complicações mais graves da pré-eclâmpsia, caracterizada pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma gestante, puérpera ou mulher no pós-parto imediato, na ausência de outras causas neurológicas para as convulsões. É uma emergência obstétrica que requer tratamento imediato para prevenir morbidade e mortalidade materna e fetal. O caso apresentado, com crise convulsiva e hipertensão arterial (PA 150x110mmHg) em uma gestante de 31 semanas, é altamente sugestivo de eclâmpsia. O tratamento de escolha para a crise convulsiva na eclâmpsia é o sulfato de magnésio endovenoso. Ele atua como um anticonvulsivante e neuroprotector, sendo superior a outros agentes como diazepam ou fenitoína. A administração deve seguir um protocolo com dose de ataque e dose de manutenção, com monitorização rigorosa da paciente para sinais de toxicidade, como a abolição dos reflexos patelares, depressão respiratória e oligúria. Além do sulfato de magnésio, o manejo da eclâmpsia inclui o controle da pressão arterial com anti-hipertensivos (como hidralazina ou labetalol) e a estabilização da paciente. A resolução da gestação é a conduta definitiva para a eclâmpsia, geralmente após a estabilização materna e, se possível, a administração da corticoterapia para maturação pulmonar fetal, dependendo da idade gestacional e da condição materna.
A dose inicial é de 4 a 6 gramas EV em 15-20 minutos (ataque), seguida de uma dose de manutenção de 1 a 2 gramas/hora em infusão contínua, ajustada pela função renal.
Os sinais incluem depressão dos reflexos patelares, depressão respiratória, oligúria e, em casos graves, parada cardíaca. O antídoto é o gluconato de cálcio.
A eclâmpsia é diagnosticada pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas ou coma em uma gestante com pré-eclâmpsia, na ausência de outras causas para a convulsão.
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