Eclâmpsia: Manejo da Crise Convulsiva e Resolução

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015

Enunciado

Primigesta, idade gestacional de 34 semanas e 3 dias, chega ao pronto-socorro trazida por familiares e desacordada, com história de ter apresentado crise convulsiva previamente. Ao exame nota-se pressão arterial de 160 x 110 mmHg, altura uterina de 30 cm, dinâmica uterina ausente e colo impérvio. Os familiares negam história de epilepsia e na carteira de pré-natal consta aumento de níveis pressóricos a partir de 28 semanas de gravidez, quando foi indicado uso de alfametildopa. A cardiotocografia mostra vitalidade fetal preservada. Além da administração de hidralazina, a conduta mais CORRETA será:

Alternativas

  1. A) Cesariana imediata
  2. B) Administração de sulfato de magnésio e resolução da gestação após estabilização do quadro.
  3. C) Administração de sulfato de magnésio e corticoterapia.
  4. D) Indução do parto e administração de sulfato de magnésio no puerpério imediato.
  5. E) Acompanhamento da vitalidade fetal até 37 semanas.

Pérola Clínica

Eclâmpsia (convulsão + HAS gestacional) → Sulfato de magnésio + controle PA + resolução da gestação.

Resumo-Chave

Em casos de eclâmpsia, a prioridade é controlar a crise convulsiva com sulfato de magnésio e a hipertensão com anti-hipertensivos como hidralazina. Após a estabilização materna, a resolução da gestação é a conduta definitiva, independentemente da idade gestacional, devido ao risco materno.

Contexto Educacional

A eclâmpsia é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, caracterizada pela ocorrência de convulsões em gestantes com hipertensão e proteinúria. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, exigindo reconhecimento e manejo rápidos. Sua incidência varia, mas é mais comum em primigestas e em gestações múltiplas. A compreensão de sua fisiopatologia e tratamento é crucial para a prática médica. A fisiopatologia da eclâmpsia envolve disfunção endotelial generalizada, vasoconstrição e isquemia cerebral, levando às convulsões. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de convulsões em uma paciente com pré-eclâmpsia. É fundamental excluir outras causas de convulsão, como epilepsia ou hemorragia intracraniana. A suspeita deve ser alta em gestantes com hipertensão e sintomas como cefaleia, distúrbios visuais ou dor epigástrica. O tratamento da eclâmpsia visa primeiramente controlar a crise convulsiva com sulfato de magnésio, seguido pelo controle da pressão arterial com anti-hipertensivos como hidralazina ou labetalol. Após a estabilização materna, a resolução da gestação é a conduta definitiva, seja por via vaginal ou cesariana, dependendo das condições obstétricas. O prognóstico materno e fetal melhora significativamente com o manejo precoce e adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da eclâmpsia?

A eclâmpsia é caracterizada pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma gestante com pré-eclâmpsia, ou seja, hipertensão arterial e proteinúria após 20 semanas de gestação, sem outras causas neurológicas.

Qual a importância do sulfato de magnésio no tratamento da eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é a droga de escolha para o tratamento e prevenção de novas crises convulsivas na eclâmpsia, agindo como um anticonvulsivante e neuroprotetor. Sua administração deve ser imediata após o diagnóstico.

Quando a resolução da gestação é indicada na eclâmpsia?

A resolução da gestação é a conduta definitiva na eclâmpsia e deve ser realizada após a estabilização do quadro materno (controle da convulsão e da pressão arterial), independentemente da idade gestacional, devido ao risco de complicações maternas graves.

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