SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Primigesta de 17 anos, idade gestacional de 39 semanas, comparece à emergência de maternidade referindo cólicas, inchaço, cefaleia e escotomas visuais. Ao exame: pressão arterial de 140x90mmHg, dinâmica uterina de 3 contrações em 10 minutos, batimentos cardíacos fetais de 144 por minuto, toque vaginal evidenciando colo com 5cm de dilatação, centralizado e apagado, apresentação cefálica, variedade de posição em OEA (occipito esquerda anterior), plano 0 de DeLee. Durante a admissão, paciente apresenta convulsão tônico-clônica generalizada. A conduta prioritária a ser tomada pela equipe obstétrica é:
Eclâmpsia (convulsão na gestante) → Prioridade é estabilizar a paciente e proteger via aérea, depois sulfato de magnésio.
A paciente apresenta um quadro de pré-eclâmpsia grave que evoluiu para eclâmpsia (convulsão). A conduta prioritária em qualquer crise convulsiva é garantir a segurança da paciente, proteger a via aérea e prevenir lesões, antes de iniciar a medicação específica para a eclâmpsia (sulfato de magnésio).
A eclâmpsia é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, caracterizada pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma gestante com pré-eclâmpsia, na ausência de outras causas neurológicas. É uma emergência obstétrica que exige reconhecimento e manejo rápidos para prevenir morbimortalidade materna e fetal. A incidência varia, mas é uma das principais causas de morte materna no mundo. A fisiopatologia da eclâmpsia envolve disfunção endotelial generalizada, vasoconstrição e isquemia cerebral, levando à irritabilidade cortical. Os sintomas prodrômicos incluem cefaleia, distúrbios visuais e dor epigástrica. O diagnóstico é clínico, e a presença de convulsão em uma gestante com hipertensão e proteinúria (ou outros sinais de disfunção orgânica) é suficiente para o diagnóstico. A conduta prioritária durante a crise convulsiva é a estabilização da paciente, garantindo a via aérea, proteção contra traumas e oxigenação. Após a estabilização inicial, o sulfato de magnésio deve ser administrado para controlar as convulsões e prevenir recorrências. A avaliação laboratorial é importante para monitorar a função renal, hepática e a contagem de plaquetas. A resolução definitiva da eclâmpsia é o parto, que deve ser considerado após a estabilização materna.
Os sinais de alerta para eclâmpsia incluem cefaleia intensa, distúrbios visuais (escotomas, visão turva), dor epigástrica ou no quadrante superior direito, náuseas, vômitos, hiperreflexia e edema generalizado, além de pressão arterial elevada.
A conduta imediata é garantir a segurança da paciente: lateralizar para evitar broncoaspiração, proteger a cabeça e a língua, afrouxar roupas apertadas e ofertar oxigênio. Após a estabilização inicial, deve-se administrar sulfato de magnésio para controle das convulsões e prevenção de recorrência.
O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha para a eclâmpsia, agindo como um depressor do sistema nervoso central e vasodilatador. Ele previne a recorrência das convulsões e reduz o risco de complicações maternas e fetais, sendo administrado em dose de ataque e manutenção.
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