PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022
Mulher de 23 anos, atendente de supermercado, é levada ao Pronto Socorro com relato de ter apresentado, durante o trabalho, uma crise convulsiva interpretada como do tipo tônico-clônico generalizada de dois minutos de duração. Nega quaisquer eventos neurológicos prévios. Não possui comorbidades conhecidas, nega trauma anterior, não faz uso de medicamentos e nem de drogas lícitas ou ilícitas. O exame clínico e neurológico, assim como os exames de laboratório e a tomografia computadorizada do crânio, não apresentam anormalidades. Assinale a alternativa que apresenta a conduta MAIS ADEQUADA nesse caso.
Primeira crise convulsiva não provocada com exames normais → Investigação completa (EEG, RM) antes de iniciar anticonvulsivante.
Em pacientes com primeira crise convulsiva não provocada e exames iniciais (clínico, lab, TC) normais, a conduta inicial é a investigação etiológica aprofundada com EEG e RM de crânio. O tratamento anticonvulsivante não é iniciado de imediato, pois o risco de recorrência pode ser baixo e os efeitos adversos da medicação podem superar os benefícios.
A primeira crise convulsiva não provocada é um evento neurológico comum que exige uma abordagem diagnóstica cuidadosa. É crucial diferenciar uma crise isolada de epilepsia, uma condição crônica caracterizada por crises recorrentes. A epidemiologia mostra que cerca de 10% da população terá uma crise convulsiva ao longo da vida, mas apenas uma fração desenvolverá epilepsia. A importância clínica reside em identificar a etiologia e o risco de recorrência para guiar a conduta terapêutica. A fisiopatologia da crise convulsiva envolve uma descarga elétrica anormal e excessiva de neurônios no cérebro. O diagnóstico inicial inclui uma história detalhada, exame físico e neurológico, exames laboratoriais básicos e uma tomografia computadorizada de crânio para excluir causas agudas. No entanto, para uma investigação mais aprofundada, a ressonância magnética de crânio é superior para detectar lesões estruturais sutis, e o eletroencefalograma (EEG) é fundamental para identificar anormalidades epileptiformes e estratificar o risco de recorrência. O tratamento após a primeira crise convulsiva depende da avaliação do risco de recorrência. Se o risco for baixo e não houver fatores predisponentes, a observação pode ser a conduta inicial, com encaminhamento ao neurologista. A introdução de medicamentos anticonvulsivantes é reservada para casos com alto risco de recorrência ou diagnóstico de epilepsia estabelecido. O prognóstico varia amplamente, mas muitos pacientes com uma única crise nunca terão outra.
Após uma primeira crise convulsiva, são essenciais exames de imagem como a Ressonância Magnética de Crânio para identificar lesões estruturais e o Eletroencefalograma (EEG) para avaliar a atividade elétrica cerebral e o risco de recorrência.
O tratamento anticonvulsivante não é iniciado rotineiramente após a primeira crise. Ele é considerado se houver alto risco de recorrência, como anormalidades no EEG, lesões estruturais na RM, ou histórico familiar significativo, após avaliação por um neurologista.
Os principais diagnósticos diferenciais incluem síncope, ataques isquêmicos transitórios, enxaqueca com aura, distúrbios psicogênicos não epilépticos, hipoglicemia, distúrbios eletrolíticos e intoxicações.
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