UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2024
Uma paciente de 29 anos é atendida na Unidade de Pronto Atendimento por crise convulsiva inédita durante o sono. Marido informa que despertou pelos abalos musculares generalizados que a esposa apresentou com duração aproximada de 2 minutos. Referiu que a paciente apresentou sialorréia intensa e que a mesma havia urinado na cama. A paciente só recuperou totalmente a consciência cerca de 15 minutos após o evento. Ao ser admitida, estava lúcida e orientada, em bom estado geral, com pressão arterial de 130/70mmHg e saturação de oxigênio de 99% em ar ambiente. Negou quaisquer outras queixas recentes. O exame neurológico, os exames laboratoriais de urgência e a tomografia do crânio foram normais. Qual a melhor conduta para o caso?
Primeira crise convulsiva não provocada em adulto com exames normais → não iniciar anticonvulsivante, encaminhar ambulatório.
Em adultos, uma primeira crise convulsiva não provocada, especialmente se os exames de imagem e laboratoriais são normais, geralmente não requer o início imediato de terapia anticonvulsivante. O risco de recorrência é variável, e a decisão de iniciar tratamento é individualizada, pesando riscos e benefícios, sendo o acompanhamento ambulatorial o mais indicado.
A primeira crise convulsiva em um adulto é um evento que gera grande preocupação e demanda uma avaliação cuidadosa na unidade de pronto atendimento. É fundamental diferenciar crises provocadas (por exemplo, por distúrbios metabólicos, intoxicações) de crises não provocadas, que são o foco para o diagnóstico de epilepsia. A prevalência de uma única crise na vida é significativa, mas nem toda crise leva ao diagnóstico de epilepsia. O diagnóstico envolve uma anamnese detalhada, incluindo descrição do evento, pródromos, sintomas durante e após a crise (período pós-ictal), e histórico médico. Exames laboratoriais e de neuroimagem (TC de crânio ou RM) são essenciais para descartar causas agudas ou estruturais. Um EEG pode ser realizado para identificar anormalidades epileptiformes, mas um EEG normal não exclui o diagnóstico de epilepsia. A conduta inicial para uma primeira crise convulsiva não provocada, com exames normais, geralmente não inclui o início imediato de terapia anticonvulsivante. A decisão de tratar é complexa e deve ser tomada em conjunto com o paciente após avaliação ambulatorial por um neurologista, considerando o risco de recorrência versus os efeitos adversos da medicação. O objetivo é evitar a supermedicação e garantir o melhor prognóstico a longo prazo.
O tratamento anticonvulsivante geralmente não é iniciado após uma primeira crise convulsiva não provocada, especialmente se os exames complementares são normais. A decisão é individualizada e considera fatores como risco de recorrência, etiologia da crise e preferência do paciente, sendo frequentemente adiada para avaliação ambulatorial.
Após uma primeira crise convulsiva, são indicados exames laboratoriais (eletrólitos, glicemia, função renal e hepática, toxicologia) e neuroimagem (tomografia de crânio ou ressonância magnética) para excluir causas agudas ou estruturais. Um eletroencefalograma (EEG) também é útil para avaliar a atividade elétrica cerebral.
O risco de recorrência após uma primeira crise convulsiva não provocada varia, mas é de aproximadamente 21-45% em 2 anos. Fatores como anormalidades no EEG, lesões estruturais cerebrais, crise durante o sono ou estado epiléptico prévio aumentam esse risco.
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