IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Homem, 26 anos de idade, é levado ao pronto atendimento após colisão moto versus anteparo fixo há duas horas. Na avaliação inicial, encontra-se com vias aéreas pérvias, sem alterações ventilatórias, estável hemodinamicamente, sem dor abdominal, pelve estável. Escala de coma de Glasgow 15, sem déficits neurológicos. Em avaliação externa, apresenta-se com ereção peniana indolor, referindo início do quadro após o trauma. Realizada aspiração de 5mL de sangue do corpo cavernoso, de coloração vermelha, com análise gasométrica revelando pH 7,42; pCO₂ 22 mmHg e pO₂ 92 mmHg. Qual é a conduta indicada frente à alteração urológica neste momento?
Priapismo de alto fluxo (sangue vermelho/pO2 > 90) → Conduta inicial é observação clínica.
O priapismo de alto fluxo decorre de fístula artério-cavernosa pós-trauma; por não ser isquêmico, não constitui emergência urológica imediata, permitindo observação.
O priapismo é definido como uma ereção persistente por mais de 4 horas, independente do desejo sexual. A distinção entre as formas isquêmica (baixo fluxo) e não isquêmica (alto fluxo) é o passo mais crítico no manejo. O caso clínico descreve um paciente jovem pós-trauma com ereção indolor e gasometria cavernosa com padrão arterial (pO2 elevada), confirmando o tipo não isquêmico. Enquanto o priapismo isquêmico é uma emergência médica que exige descompressão imediata para evitar fibrose, o priapismo de alto fluxo permite uma abordagem conservadora inicial. Se a resolução espontânea não ocorrer, a embolização arterial seletiva é a terapia de segunda linha preferencial, reservando-se a cirurgia apenas para casos refratários.
No priapismo de alto fluxo (não isquêmico), o sangue aspirado é arterial, apresentando pH > 7,25, pO2 > 90 mmHg e pCO2 < 40 mmHg. Já no baixo fluxo (isquêmico), o sangue é venoso e acidótico, com pH < 7,25, pO2 < 30 mmHg e pCO2 > 60 mmHg.
Geralmente é causado por um trauma perineal ou peniano que resulta em uma laceração da artéria cavernosa, criando uma fístula artério-cavernosa. Isso gera um influxo contínuo de sangue arterial que supera a drenagem venosa, mas sem causar isquemia tecidual.
Diferente do priapismo isquêmico, o de alto fluxo não causa hipóxia ou acidose nos corpos cavernosos, portanto não há risco imediato de fibrose ou disfunção erétil permanente. Muitos casos resolvem espontaneamente por vasoespasmo ou trombose da fístula.
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