UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Homem, negro, 24 anos, evolui com ereção peniana muito dolorosa, com turgescência máxima há 24h e procura serviço de urgência. O tipo de priapismo e a sua principal causa no brasil é:
Priapismo doloroso + Anemia Falciforme = Priapismo de baixo fluxo (isquêmico) → Emergência!
O priapismo isquêmico é uma emergência urológica por estase venosa e hipóxia; na população brasileira jovem, a anemia falciforme é a principal causa etiológica.
O priapismo é definido como uma ereção persistente, geralmente superior a 4 horas, não relacionada ao desejo sexual. O tipo isquêmico (baixo fluxo) é o mais comum e grave, assemelhando-se a uma síndrome compartimental do pênis. A acidose e a hipóxia prolongadas (acima de 12-24 horas) levam à fibrose dos corpos cavernosos e disfunção erétil permanente em grande parte dos casos. No cenário brasileiro, a prevalência da anemia falciforme torna esta condição a principal causa de priapismo em crianças e adultos jovens. O diagnóstico é clínico, mas pode ser confirmado pela gasometria do sangue aspirado dos corpos cavernosos (pH < 7.25, pO2 < 30 mmHg, pCO2 > 60 mmHg). O reconhecimento precoce e a intervenção urológica imediata são cruciais para preservar a função sexual futura do paciente.
O priapismo de baixo fluxo (isquêmico) é caracterizado por uma ereção dolorosa, rígida, com ausência de fluxo sanguíneo cavernoso, resultando em hipóxia e acidose tecidual; é uma emergência médica. Já o priapismo de alto fluxo (não isquêmico) geralmente decorre de trauma arterial peniano ou perineal, criando uma fístula; a ereção é menos rígida, indolor e o sangue é bem oxigenado, não representando risco imediato de necrose tecidual.
Na anemia falciforme, a desoxigenação da hemoglobina S leva à falcização das hemácias dentro dos sinusoides cavernosos. Essas células rígidas causam obstrução do fluxo de saída venoso (venoclusão), resultando em estase sanguínea, aumento da pressão intracavernosa e isquemia. Além disso, a redução da biodisponibilidade de óxido nítrico e a regulação anormal da fosfodiesterase-5 em pacientes falcêmicos contribuem para a manutenção da ereção patológica.
O tratamento visa a descompressão dos corpos cavernosos e a restauração do fluxo sanguíneo. Inicia-se com aspiração do sangue estagnado (que se apresenta escuro e acidótico) seguida de irrigação com soro fisiológico. Se não houver resolução, realiza-se a injeção intracavernosa de agentes alfa-adrenérgicos (como a fenilefrina). Em pacientes com anemia falciforme, medidas sistêmicas como hidratação, oxigenação e analgesia são complementares, mas não substituem a intervenção local urgente.
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