ENARE/ENAMED — Prova 2025
Uma criança, portadora de doença falciforme, é admitida na emergência com priapismo há 24 horas, que não respondeu ao tratamento habitual. A conduta correta, nesse caso, é:
Priapismo isquêmico > 4h refratário → Aspiração + Fenilefrina intracavernosa.
O priapismo na anemia falciforme é uma emergência urológica isquêmica (baixo fluxo). Se medidas iniciais falham, a injeção intracavernosa de agonistas alfa-adrenérgicos é necessária para promover a vasoconstrição e drenagem.
O priapismo é uma complicação frequente e devastadora da anemia falciforme, afetando até 30-40% dos homens com a doença ao longo da vida. A fisiopatologia baseia-se na oclusão do fluxo venoso pelos eritrócitos falcizados, resultando em uma síndrome compartimental do pênis. O tempo é o fator prognóstico mais importante: episódios que duram mais de 24 horas têm um risco altíssimo de necrose tecidual e disfunção erétil permanente por fibrose cavernosa. O tratamento deve ser escalonado, mas a transição para métodos invasivos (aspiração e fenilefrina) não deve ser retardada em casos de priapismo isquêmico evidente. A exsangüíneo-transfusão pode ser considerada em casos refratários, mas não substitui o tratamento local imediato.
O priapismo de baixo fluxo (isquêmico) é o mais comum na anemia falciforme, caracterizado por estase venosa e obstrução do fluxo de saída, levando a hipóxia e acidose tecidual; é doloroso e uma emergência médica. O priapismo de alto fluxo (não isquêmico) geralmente decorre de trauma arterial com formação de fístula, não é doloroso e não apresenta risco imediato de isquemia tecidual. Na anemia falciforme, o mecanismo é o afoiçamento de hemácias nos sinusoides cavernosos.
A fenilefrina é um agonista alfa-1 adrenérgico puro. Quando injetada diretamente nos corpos cavernosos, ela promove a vasoconstrição das artérias cavernosas e a contração do músculo liso sinusoidal. Isso reduz o influxo arterial e facilita o esvaziamento venoso do sangue represado. É preferida em relação à adrenalina por ter menos efeitos colaterais sistêmicos (como arritmias ou picos hipertensivos), embora a monitorização cardíaca ainda seja recomendada durante o procedimento.
As medidas iniciais para priapismo 'stuttering' ou episódios curtos incluem hidratação vigorosa, analgesia (frequentemente opioides), esvaziamento vesical e, às vezes, banhos mornos. Se a ereção persistir por mais de 4 horas (priapismo isquêmico), essas medidas raramente são eficazes isoladamente, sendo necessária a intervenção urológica com aspiração de sangue dos corpos cavernosos seguida de irrigação com solução salina e fenilefrina.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo