Priapismo de Alto Fluxo: Diagnóstico e Angioembolização

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 45 anos procura o pronto-socorro queixando-se de ereção peniana há mais de 8 horas. Relata uso de tadalafila há 1 dia. Tem antecedente de trauma perineal a cavaleiro com lesão de uretra bulbar corrigida. Ao exame físico: pênis de aspecto entumecido, principalmente nos corpos cavernosos, indolor, sem sinais de trauma recente ou isquemia. A principal hipótese diagnóstica e conduta é:

Alternativas

  1. A) Priapismo de alto fluxo e angioembolização eletiva.
  2. B) Priapismo de baixo fluxo e imediata punção peniana para aspiração.
  3. C) Priapismo de baixo fluxo e coleta de gasometria arterial sérica.
  4. D) Priapismo de baixo fluxo e angioembolização de urgência.

Pérola Clínica

Priapismo indolor + sem isquemia + história de trauma → Priapismo de alto fluxo = Angioembolização eletiva.

Resumo-Chave

O priapismo de alto fluxo, geralmente causado por fístula arteriovenosa após trauma perineal, é caracterizado por ser indolor e não isquêmico. Diferente do priapismo de baixo fluxo, não é uma emergência urológica e o tratamento de escolha é a angioembolização eletiva para ocluir a fístula.

Contexto Educacional

O priapismo é uma ereção peniana persistente, não associada a estímulo sexual, que dura mais de 4 horas. É classificado em isquêmico (baixo fluxo) e não isquêmico (alto fluxo). O priapismo de baixo fluxo é uma emergência urológica devido ao risco de isquemia e fibrose, enquanto o de alto fluxo, embora necessite de tratamento, não é uma emergência imediata. A distinção é crucial para o manejo adequado e para a preservação da função erétil. A fisiopatologia do priapismo de alto fluxo envolve a formação de uma fístula arteriovenosa intracavernosa, geralmente após trauma perineal, que permite o fluxo arterial contínuo para os corpos cavernosos. O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico (pênis geralmente indolor e não totalmente rígido) e confirmado por gasometria dos corpos cavernosos (sangue vermelho brilhante, pH normal, pO2 elevada) e ultrassonografia Doppler (fluxo arterial aumentado). A história de trauma, mesmo antigo, é um forte indicativo. O tratamento do priapismo de alto fluxo é a angioembolização superseletiva da fístula, que visa ocluir o vaso anômalo e restaurar o fluxo sanguíneo normal, preservando a função erétil. Este procedimento é geralmente eletivo, pois a condição não causa isquemia peniana. O prognóstico é geralmente bom, com alta taxa de sucesso e preservação da função erétil, se tratado corretamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas do priapismo de alto fluxo?

O priapismo de alto fluxo é tipicamente indolor, não rígido completamente e não apresenta sinais de isquemia peniana, como cianose ou necrose. A ereção é persistente, mas o pênis pode estar menos turgido que no priapismo isquêmico.

Qual a principal causa do priapismo de alto fluxo?

A principal causa é o trauma perineal, que pode levar à formação de uma fístula arteriovenosa no corpo cavernoso, permitindo o fluxo arterial contínuo para o pênis. O uso de medicamentos para disfunção erétil raramente causa priapismo de alto fluxo.

Por que a angioembolização é a conduta preferencial no priapismo de alto fluxo?

A angioembolização é o tratamento de escolha porque permite ocluir seletivamente a fístula arteriovenosa responsável pelo fluxo excessivo, preservando a função erétil e minimizando o risco de complicações. É um procedimento menos invasivo que a cirurgia e pode ser realizado de forma eletiva.

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