UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Um paciente de 57 anos, previamente hígido, deu entrada em um hospital com quadro de pneumonia bacteriana adquirida na comunidade (PAC). Apresentava febre de 38,7ºC e semiologia respiratória típica associadas à instabilidade hemodinâmica (PA = 80 x 40mmHg), taquicardia (FC = 122bpm), taquidispneia (FR = 26irpm) e rebaixamento de consciência (escala de coma de Glasgow modificada = 12 pontos). Considerando a hipótese diagnóstica de sepse, foram solicitados exames complementares e iniciada a avaliação pelo escore SOFA. Esses exames revelaram leucocitose (17.800/mm³ ) com desvio à esquerda (1% de metamielócitos e 11% de bastões), trombocitopenia (77.000/mm³ ), acidose metabólica moderada, com hiperlactatemia (4,5mmol/L), retenção de escórias nitrogenadas e hiperbilirrubinemia direta. O paciente foi abordado de acordo com as diretrizes vigentes para a abordagem da sepse. Apresente três componentes do pacote de manejo inicial do paciente na primeira hora do tratamento.
Sepse 1ª hora: Lactato, culturas, ATB amplo, fluidos, vasopressores (se hipotensão).
O manejo inicial da sepse na primeira hora é crítico e inclui a mensuração do lactato sérico, coleta de culturas (sangue, urina, etc.), administração de antibióticos de amplo espectro, início de fluidoterapia intravenosa (30 mL/kg de cristaloides) e, se necessário, vasopressores para manter a PAM ≥ 65 mmHg.
A sepse é uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção, e o choque séptico é um subconjunto da sepse com disfunções circulatórias e metabólicas mais profundas. É uma das principais causas de mortalidade em unidades de terapia intensiva, tornando o reconhecimento precoce e o manejo agressivo na primeira hora um divisor de águas para o prognóstico do paciente. O pacote de manejo da sepse na primeira hora, conforme as diretrizes da Surviving Sepsis Campaign, visa interromper a cascata de eventos fisiopatológicos. Isso inclui a mensuração do lactato sérico para avaliar a hipoperfusão, a coleta de culturas microbiológicas antes da antibioticoterapia para identificar o patógeno, e a administração imediata de antibióticos de amplo espectro para cobrir os agentes mais prováveis. A ressuscitação volêmica com 30 mL/kg de cristaloides intravenosos é fundamental para restaurar a perfusão tecidual. Se a hipotensão persistir após a fluidoterapia, vasopressores (como a norepinefrina) devem ser iniciados para manter uma pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg. A monitorização contínua e a reavaliação são essenciais para guiar o tratamento subsequente.
Os principais componentes incluem medir o lactato sérico, coletar culturas antes dos antibióticos, administrar antibióticos de amplo espectro, iniciar fluidoterapia com 30 mL/kg de cristaloides e, se necessário, vasopressores.
O lactato é um marcador de hipoperfusão tecidual e disfunção celular. Níveis elevados indicam gravidade e são usados para guiar a ressuscitação volêmica e avaliar a resposta ao tratamento.
A administração de antibióticos de amplo espectro na primeira hora é crucial, pois o atraso está associado a um aumento significativo da mortalidade, especialmente em pacientes com choque séptico.
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