Anafilaxia: Diagnóstico e Tratamento Imediato com Adrenalina

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2015

Enunciado

Paciente masculino, 40 anos, previamente hígido, em atendimento emergencial por cefaleia, recebe infusão endovenosa de dipirona. Logo após a infusão da medicação refere náusea, seguida de dispneia e tontura. Ao exame apresenta-se taquicárdico, com sudorese fria e hipotensão. Sequencialmente apresenta piora do nível de consciência e choque. Sobre o diagnóstico e a terapêutica inicial (imediata) para esse caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Anafilaxia/Iniciar adrenalina intramuscular. 
  2. B) Anafilaxia/Iniciar hidrocortisona endovenosa.
  3. C) Anafilaxia/Iniciar loratadina oral
  4. D) Reação urticariforme à dipirona/Iniciar loratadina oral. 
  5. E) Reação aguda à dipirona/Iniciar hidrocortisona endovenosa. 

Pérola Clínica

Anafilaxia → Adrenalina IM (primeira linha) imediatamente; não retardar por outros medicamentos.

Resumo-Chave

O quadro clínico de início rápido com sintomas sistêmicos (dispneia, tontura, hipotensão, choque) após a administração de um medicamento é altamente sugestivo de anafilaxia. A terapêutica inicial e mais importante é a administração imediata de adrenalina por via intramuscular.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, que exige reconhecimento e tratamento imediatos. É desencadeada pela liberação maciça de mediadores inflamatórios (como histamina e triptase) de mastócitos e basófilos, geralmente após exposição a um alérgeno (medicamentos, alimentos, picadas de insetos). O quadro clínico inclui sintomas cutâneos (urticária, angioedema), respiratórios (dispneia, broncoespasmo), cardiovasculares (hipotensão, taquicardia, choque) e gastrointestinais (náuseas, vômitos). O diagnóstico é clínico e deve ser feito rapidamente. A terapêutica inicial e mais crucial é a administração de adrenalina (epinefrina) por via intramuscular. A adrenalina atua como agonista alfa e beta-adrenérgico, promovendo vasoconstrição (revertendo a hipotensão e o choque), broncodilatação (aliviando a dispneia) e inibindo a liberação de mais mediadores. A dose padrão para adultos é de 0,3 a 0,5 mg de solução 1:1000 IM na coxa, podendo ser repetida. Embora antihistamínicos (como loratadina) e corticosteroides (como hidrocortisona) sejam adjuvantes úteis para controlar sintomas cutâneos e prevenir a fase tardia da reação, eles não são a primeira linha de tratamento e não devem atrasar a administração de adrenalina. O manejo da anafilaxia é uma habilidade essencial para qualquer profissional de saúde, especialmente em ambientes de emergência, e o conhecimento da sequência correta de intervenções pode salvar vidas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para anafilaxia?

Anafilaxia é diagnosticada pela presença de sintomas agudos (minutos a horas) envolvendo pele/mucosas, ou sintomas respiratórios, ou hipotensão, ou sintomas gastrointestinais, após exposição a um alérgeno conhecido ou provável.

Por que a adrenalina é o tratamento de primeira linha para anafilaxia?

A adrenalina (epinefrina) é o tratamento de escolha porque atua rapidamente como vasoconstritor (combatendo a hipotensão), broncodilatador (aliviando a dispneia) e inibidor da liberação de mediadores inflamatórios.

Qual a dose e via de administração da adrenalina na anafilaxia?

A dose recomendada para adultos é de 0,3 a 0,5 mg de adrenalina 1:1000 por via intramuscular (IM), preferencialmente na face anterolateral da coxa, podendo ser repetida a cada 5-15 minutos se necessário.

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