UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2018
Maria, 75 anos, iniciou com quadro de Alzheimer há aproximadamente 10 anos. Há um ano está acamada, não se comunica (gemente) e não controla os esfíncteres (usa fraldas). Gilda, a filha, é a principal cuidadora e orgulha-se de, nesses anos todos, ter conseguido cuidar da mãe sem que desenvolvesse escaras, sem necessitar de internação por alguma infecção pulmonar ou urinária e conseguindo manter a alimentação pela boca. Agora, durante a visita domiciliar, apresenta-se angustiada, acha que a mãe está muito emagrecida e pergunta se não deveria se alimentar por sonda. Com relação ao que pode ter contribuído para que Maria não desenvolvesse escaras (úlceras de decúbito), assinale a opção correta.
Prevenção de úlceras de decúbito em acamados → colchões especiais (piramidal/caixa de ovo) e mudança de decúbito regular.
A prevenção de úlceras de decúbito em pacientes acamados é multifatorial, mas o uso de superfícies de alívio de pressão, como o colchão piramidal (ou caixa de ovo), é crucial para redistribuir o peso e reduzir a pressão em proeminências ósseas, minimizando o risco de lesões. A mudança de decúbito deve ser mais frequente que 8/8h.
As úlceras de decúbito, ou lesões por pressão, representam um grave problema de saúde em pacientes acamados, especialmente idosos e aqueles com comorbidades que limitam a mobilidade. Elas são definidas como lesões localizadas na pele e/ou tecido subjacente, geralmente sobre uma proeminência óssea, resultantes de pressão ou de pressão em combinação com cisalhamento. A prevenção é a pedra angular do manejo, pois o tratamento de úlceras estabelecidas é complexo e prolongado. A fisiopatologia envolve a isquemia tecidual causada pela pressão prolongada que excede a pressão capilar, levando à hipóxia e morte celular. O diagnóstico é clínico, baseado na inspeção da pele, e a classificação é feita por estágios, de I a IV, além de lesão por pressão não estadiável e lesão tecidual profunda suspeita. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente com mobilidade reduzida ou acamado. O tratamento é multidisciplinar e focado na remoção da pressão, otimização nutricional, controle da dor e tratamento da ferida. No entanto, a prevenção é sempre a melhor abordagem, incluindo o uso de superfícies de alívio de pressão (colchões e coxins especiais, como o piramidal), mudanças de decúbito regulares (a cada 2-4 horas), hidratação adequada da pele, nutrição otimizada e manejo da incontinência. A educação de cuidadores é vital para o sucesso das medidas preventivas.
Os principais fatores de risco incluem imobilidade prolongada, desnutrição, incontinência, idade avançada, doenças crônicas e alterações da sensibilidade. A combinação desses fatores aumenta significativamente a chance de lesões.
O colchão piramidal, também conhecido como colchão caixa de ovo, é projetado para redistribuir a pressão sobre a superfície corporal, minimizando o atrito e a compressão em pontos específicos, o que é fundamental para prevenir a isquemia tecidual e a formação de úlceras.
A frequência ideal da mudança de decúbito varia conforme o risco do paciente, mas geralmente é recomendada a cada 2 a 4 horas. Em pacientes de alto risco, pode ser necessária uma frequência ainda maior, complementada por outras medidas preventivas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo