HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2021
Sílvio, 65 anos de idade, morava sozinho em uma casa no território de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Um dia, enquanto fazia compras, percebeu paresia súbita do dimídio esquerdo e desvio da comissura labial para a direita. As pessoas ao seu redor o acudiram, chamaram um táxi e o levaram para a UBS mais próxima. Lá foi atendido pela Dra. Paula, médica, que suspeitou de um acidente vascular cerebral, e então solicitou uma ambulância para removê-lo para uma unidade de emergência. Após receber alta do hospital de referência, Sílvio manteve o desvio da comissura labial, o que dificultava tanto sua fala quanto sua mastigação e deglutição. Além disso, a paresia de membros o impedia de ficar em pé por longos períodos, tornando-o restrito ao leito. A equipe de saúde da família da UBS foi, então, em visita domiciliar na casa de Sílvio, para trabalhar técnicas de fonoaudiologia, fisioterapia e cuidados no leito. As ações descritas configuram que nível de prevenção?
Reabilitação e redução de incapacidades em doenças estabelecidas = Prevenção Terciária.
A prevenção terciária foca na reabilitação e na mitigação de sequelas de patologias já instaladas, visando devolver funcionalidade e qualidade de vida ao paciente.
O modelo de Leavell e Clark é fundamental na Saúde Coletiva e Medicina de Família. Ele divide as intervenções em níveis: Primária (antes da doença, via vacinas e promoção), Secundária (diagnóstico precoce), Terciária (reabilitação) e, modernamente, Quaternária (evitar iatrogenia). No caso clínico apresentado, o paciente Sílvio já possui sequelas estabelecidas de um AVC (paresia e desvio de comissura). As intervenções da equipe de saúde (fisioterapia e fonoaudiologia) não visam o diagnóstico, mas sim a recuperação funcional, o que define estritamente a Prevenção Terciária. Compreender essa gradação é essencial para a gestão do cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS).
A prevenção terciária é o conjunto de medidas que visam reduzir os prejuízos funcionais decorrentes de uma doença ou evento agudo já consolidado. O objetivo central é a reabilitação, buscando minimizar a incapacidade e promover a reintegração social. No caso do AVC, as ações de fisioterapia e fonoaudiologia para tratar sequelas motoras e de fala são exemplos clássicos desse nível de prevenção.
A prevenção secundária atua no período inicial da patogênese, focando no diagnóstico precoce e tratamento imediato para evitar que a doença progrida ou cause danos maiores (ex: rastreamento de câncer). Já a prevenção terciária atua quando a doença já causou danos ou sequelas, focando em limitar a invalidez e reabilitar o paciente para suas atividades diárias.
A prevenção quaternária consiste na identificação de pacientes em risco de sobremedicalização e na proteção contra intervenções médicas desnecessárias ou potencialmente danosas (iatrogenia). É o esforço ético e clínico para evitar o excesso de exames, diagnósticos e tratamentos que não trazem benefício real, protegendo a autonomia e a integridade do paciente.
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