SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2016
A Organização Mundial da Saúde recomenda realizar, rotineiramente, teste para identificar antígeno criptocócico em pacientes adultos infectados pelo HIV que apresentem contagem de linfócitos CD4 < 100 células/mm³ antes do início da terapia antirretroviral, em cenários com elevada prevalência de antigenemia criptocócica. Esta estratégia corresponde ao seguinte nível de prevenção:
Rastreamento/detecção precoce de doença (ex: Ag criptocócico em HIV) = Prevenção Secundária.
A prevenção secundária foca na detecção e intervenção precoce de uma doença já estabelecida ou em estágio inicial, visando limitar sua progressão e complicações. O rastreamento do antígeno criptocócico em pacientes HIV com CD4 baixo se encaixa nesse nível, pois busca identificar a infecção antes que se manifeste clinicamente de forma grave.
Os níveis de prevenção em saúde pública são conceitos fundamentais para a organização de estratégias de saúde e para a compreensão do impacto das intervenções médicas. A prevenção primordial atua antes do surgimento dos fatores de risco, a primária evita a ocorrência da doença, a secundária foca na detecção e intervenção precoce, e a terciária visa minimizar as consequências de uma doença já estabelecida. A criptococose é uma infecção fúngica oportunista grave em pacientes com HIV, especialmente aqueles com imunossupressão avançada (CD4 < 100 células/mm³). A meningite criptocócica é uma das manifestações mais letais. A recomendação da OMS para o rastreamento do antígeno criptocócico (CrAg) em pacientes HIV com CD4 baixo, antes do início da TARV, é um exemplo clássico de prevenção secundária. Essa estratégia permite identificar pacientes com infecção subclínica por Cryptococcus, possibilitando o início de terapia antifúngica profilática antes do desenvolvimento da doença sintomática, que muitas vezes é fatal. A detecção precoce e a intervenção oportuna são cruciais para melhorar o prognóstico e reduzir a morbimortalidade associada à criptococose em populações de alto risco.
A prevenção primária visa evitar que a doença ocorra (ex: vacinação, uso de preservativos), enquanto a prevenção secundária busca detectar e intervir precocemente em uma doença já existente para evitar sua progressão (ex: rastreamento de câncer, teste de Ag criptocócico).
Pacientes com CD4 < 100 células/mm³ têm alto risco de desenvolver criptococose disseminada, uma infecção oportunista grave. O rastreamento permite a identificação precoce e o tratamento profilático, prevenindo a meningite criptocócica.
Além da primária e secundária, existem a prevenção terciária (reabilitação e redução de sequelas em doenças estabelecidas) e a prevenção primordial (ações para evitar o surgimento de fatores de risco em uma população).
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