HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024
Homem de 53 anos de idade, em acompanhamento na Unidade Básica de Saúde, apresentou, em três consultas seguidas, valores de pressão arterial de 160x100mmHg. Tem 1,70m de altura e peso de 92kg. O paciente é sedentário, tem uma dieta rica em carboidratos, alimentos processados e rica em sódio. Ingere álcool cerca de 4 a 5 vezes por semana, cerca de 5 latinhas de cerveja ou 2 doses de cachaça. Dorme mal à noite, tem diversos roncos relatados pela esposa, além de acordar com a sensação de ter dormido menos do que deveria. Sua mãe e seu irmão mais velho têm antecedentes de HAS, ambos com diagnóstico por volta dos 45 anos de idade. Caso o diagnóstico de HAS seja realizado, em qual nível de prevenção se situa o tratamento anti-hipertensivo nesse caso?
Tratamento de doença instalada para evitar progressão/complicações = Prevenção Secundária.
A prevenção secundária foca no diagnóstico precoce e tratamento imediato de uma patologia já existente para limitar a incapacidade e evitar complicações futuras.
O modelo de Leavell e Clark divide a história natural da doença em períodos pré-patogênico e patogênico, associando níveis de intervenção. Na HAS, a prevenção primária envolve a promoção da saúde e proteção específica. Quando o paciente já apresenta níveis pressóricos elevados (160x100 mmHg), entramos no nível secundário, onde o objetivo é o controle rigoroso para evitar o desfecho clínico desfavorável. Este conceito é vital para a prova de residência, pois frequentemente confunde-se o 'tratamento' com prevenção terciária. Lembre-se: se o objetivo é evitar a complicação de uma doença ativa, é secundária; se o objetivo é tratar a sequela da complicação, é terciária.
A prevenção secundária envolve ações realizadas quando a doença já está presente, mas em estágios iniciais ou antes de causar danos irreversíveis. No caso da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), o diagnóstico através do rastreamento e o início do tratamento (farmacológico ou não) para controlar os níveis pressóricos e evitar lesões em órgãos-alvo (como AVC ou IAM) são exemplos clássicos de prevenção secundária.
A prevenção primária atua no período pré-patogênico, visando remover causas e fatores de risco para evitar que a doença ocorra (ex: dieta equilibrada e exercícios para evitar o surgimento da HAS). Já a prevenção secundária atua no período de patogênese, focando no diagnóstico precoce (screening) e tratamento oportuno para curar ou retardar a progressão da doença já instalada.
A prevenção terciária foca na reabilitação e redução de incapacidades após a doença ter deixado sequelas (ex: fisioterapia pós-AVC). A prevenção quaternária, por sua vez, visa identificar pacientes em risco de sobremedicalização ou intervenções médicas excessivas/desnecessárias, protegendo-os de danos iatrogênicos e promovendo alternativas éticas de cuidado.
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