Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2024
Homem de 76 anos de idade, procura unidade básica de saúde com quadro de odinofagia e rinorreia há dois dias. Nega dispneia ou dor torácica. Antecedentes de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), Diabetes Mellitus (DM) e dislipidemia com bom controle ambulatorial. Ao exame clínico está em bom estado geral, pressão arterial de 132x86 mmHg, frequência cardíaca 88 bpm, frequência respiratória 12 ipm e saturação de oxigênio de 95% (ar ambiente). Médico da UBS indica utilização de nirmatrelvir/ritonavir, porém, paciente questiona seu uso, visto que está oligossintomático. Médico orienta que o uso do medicamento é importante para prevenir internações, complicações e morte. Em qual estratégia se encaixa a função do medicamento prescrito?
Nirmatrelvir/ritonavir em COVID-19 sintomático para prevenir agravamento = Prevenção Secundária.
A prevenção secundária foca na detecção precoce e tratamento de uma doença já estabelecida para impedir sua progressão, reduzir a gravidade ou evitar complicações. O uso de nirmatrelvir/ritonavir em um paciente com COVID-19 sintomático, mesmo que oligossintomático, para prevenir internações e mortes, se encaixa perfeitamente nesse conceito.
Os níveis de prevenção em saúde são conceitos fundamentais em epidemiologia e saúde pública, cruciais para a organização de ações e programas de saúde. A prevenção secundária, em particular, foca na intervenção precoce em indivíduos que já desenvolveram uma condição, mas antes que ela se torne grave ou cause danos irreversíveis. O objetivo é limitar a prevalência da doença e reduzir sua morbimortalidade, através de diagnóstico precoce e tratamento adequado. No contexto da COVID-19, o nirmatrelvir/ritonavir (Paxlovid) é um antiviral que atua inibindo a replicação viral, sendo indicado para pacientes com risco de progressão para doença grave. Ao ser administrado a um paciente já sintomático, mas com o objetivo de prevenir desfechos adversos como hospitalização, necessidade de ventilação mecânica ou óbito, ele se enquadra perfeitamente na estratégia de prevenção secundária. Este medicamento é uma ferramenta valiosa para proteger populações vulneráveis, como idosos e imunocomprometidos. Para residentes, é vital compreender que a escolha da estratégia de prevenção depende do estágio da doença e dos objetivos da intervenção. A distinção clara entre os níveis de prevenção não só auxilia na compreensão de questões de prova, mas também orienta a tomada de decisões clínicas e de saúde pública, garantindo a aplicação de medidas mais eficazes para cada cenário. A rápida identificação de pacientes que se beneficiam do tratamento precoce é um pilar da prevenção secundária em doenças infecciosas.
A prevenção primária visa evitar o surgimento da doença em indivíduos saudáveis (ex: vacinas). A prevenção secundária busca detectar e tratar precocemente uma doença já instalada para evitar sua progressão ou complicações (ex: rastreamento de câncer, tratamento antiviral).
É indicado para pacientes com COVID-19 leve a moderado que apresentam alto risco de progressão para doença grave, incluindo hospitalização ou morte. Deve ser iniciado o mais rápido possível após o diagnóstico e dentro de 5 dias do início dos sintomas.
Além da primária e secundária, existem a prevenção primordial (evitar o surgimento de fatores de risco), terciária (reduzir o impacto de doenças estabelecidas e reabilitar) e quaternária (evitar intervenções médicas desnecessárias ou iatrogenias).
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